sábado, 11 de dezembro de 2021

ORDENANDO QUE CAIA FOGO DO CEU

Introdução


Se colocarmos em nossos olhos a “retina dos olhos de Deus”, (busquei num dicionário aleatório a função da retina: “
captar a LUZ através da córnea, da pupila e do cristalino, e, por meio do nervo ótico, convertê-la em sinais neurais e enviá-las ao cérebro que a transforma em reconhecimento visual”) captaremos a LUZ, ou seja, veremos o que Ele vê, e como Ele vê e então o nosso cérebro terá o “reconhecimento visual” do que está diante dos nossos olhos na mesma ótica de Deus!

O que está diante dos olhos da igreja, atraindo seu olhar e levando-a a reagir? E em que está sendo transformado o objeto do foco como um reconhecimento visual? 

Não sei se ainda se usam nos consultórios dos psicólogos aquelas figuras enigmáticas que são dadas aos pacientes para que respondam o que veem nelas! Fato é, que, cada paciente dá uma resposta diferente sobre o que vê!

Diante dos olhos da igreja estão as figuras nas mais variadas formas. Deus deu a ela a capacidade da identificação. A primeira figura mostra o campo de batalha; a segunda mostra os inimigos; a terceira mostra as estratégias de cada um, e por fim, os objetivos. Reconhecer, a partir do campo visual é o grande desafio da igreja, para que direcione as armas e atinja o verdadeiro inimigo.


                                                        Fazendo um paralelismo.

No livro de Jeremias, lemos que Deus, no primeiro capítulo lhe dá duas visões e pergunta: O que vês, Jeremias? Vejo uma vara de amendoeira; vejo uma panela virada para o norte. De ambas as visões, foi o próprio Deus quem deu a interpretação daquilo que queria mostrar ao profeta. Numa terra tão polarizada à base de tantas ideias e diferenças, se pedíssemos para Deus olhar para nós e responder o que Ele vê, penso que sua resposta seria: Vejo os homens! Vejo-os empreendendo muitas coisas! Comprando, vendendo, construído, modificando, alegrando-se, plantando e colhendo! Vejo homens pecadores que necessitam da minha glória, sendo justificados gratuitamente por minha graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus (Romanos 3).

Deus ama sua criação e quer salvá-la, por isso proveu um sacrifício para a salvação de TODO aquele que crer. O homem, na contrapartida ao que Deus já fez selecionou por seus próprios padrões de justiça aqueles que, no seu julgamento, podem ser salvos. Assim, temos hoje centenas de tribunais “cristãos” no seio da igreja. Deus nos mostrou um único opositor; mas o homem “caracterizou” o opositor internamente e passou a lutar contra si mesmo; contra aqueles (seus irmãos) que não se enquadram nos “novos” padrões de justiça. Deus disse a Isaías: “Meus pensamentos não são os vossos; meus caminhos não são os vossos” (Isaías 55)

                                                 A ótica do homem e o desejo de Deus

Cornélio era um centurião romano. Quem conhece a narrativa de Atos 10 sabe o desenrolar dos fatos até o momento que alguém diz a Pedro: “Entraste na casa de incircuncisos e comeste com eles” (Atos 11). Cornélio esteve primeiramente “sob a régua de Pedro”; Pedro, tendo se rendido à vontade de Deus, venceu os preconceitos judeus obedecendo ao que Deus queria fazer (mas antes disso, ele tentou negociar para não “pisar em solo romano”). O resultado foi a conversão, o batismo, a descida do Espirito Santo sobre a família e amigos chegados de Cornélio. Mas logo em seguida foi a vez de Pedro se ver diante da “régua” e sobre a balança de seus compatriotas, pelos mesmos motivos.

 

Quem conhece Lucas 9 também entende a narrativa. Primeiramente Jesus flagrou os discípulos numa enquete: “Quem dentre eles seria o maior”. Em seguida, a palavra deles foi: “Mestre, vimos certo homem que em seu nome expelia demônios, mas nós o proibimos porque não anda conosco

 

Próximo a esse texto temos outro em que alguns falavam a Jesus a respeito dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam! Esse comentário parecia convencer Jesus de que tais homens eram mais pecadores do que outros. Quem seria pior: Pilatos ou os galileus? Jesus os surpreendeu ao dizer: “Se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”.

Depois Jesus os faz lembrar de uma tragédia do passado: A torre de Siloé que caiu sobre 18 homens... Jesus perguntou: “São esses 18 mais pecadores do que todos os outros que habitam em Jerusalém?” ...Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis! (Lucas 13).

 

Antes de ser chamado para ser um dos doze discípulos, Mateus era um judeu funcionário do governo romano. Zaqueu era um publicano chefe; e rico! Quando ele se converte sinceramente ao Senhor, ele não muda de ofício; mas corrige os males que praticou no oficio.

 

Próximo ao dia de sua morte, Jesus decide ir a Jerusalém. Antes disso, ele envia mensageiros que o antecedessem. Passando eles por uma aldeia de Samaritanos, foram rejeitados por esses. Ao ouvirem isso, os discípulos Tiago e João (os intempestivos filhos do trovão) perguntam: “Senhor, queres que mandemos fogo do céu para consumi-los?” Essa era visão que muitos ainda alimentam sobre Jesus – Fogo destruidor aos oponentes! Embora, quase sempre quem classificou o oponente foi o homem e não Jesus (é a guerra santa) Jesus responde: “Vós não sabeis de que espirito sois!” (Lucas 9).

Poderia citar ainda outras narrativas que mostram quão facilmente o homem sai da comunhão que Deus deseja desfrutar com os seus. O homem pode ainda estar vendo constantemente “as arvores” (Marcos 8) em vez de ver outros (seus iguais) homens. Quando Deus quiser nos mostrar “arvores”, ele nos colocará diante delas, bem verdes, inconfundíveis. E quando quiser nos mostrar os homens, ele nos mostrará os homens que não tem galhos nem folhas. Se nossa visão está turva, Ele se prontifica a nos revelar o que está diante dos nossos olhos.

Deus só vê uma linha divisória no meio dos homens: A linha do arrependimento! De um lado os redimidos; de outro lado, os pecadores.

 

Quando cristãos impõe tropeços ao avanço da igreja; denegrindo a própria imagem diante dos gregos (gentios) e demonizando os gentios (gregos) diante dos judeus, estão fechando suas portas para tais grupos.

Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar” (Coríntios 10)

                                                         Paulo falou ao povo gentio

...Noutro tempo estáveis sem Cristo; separados da comunidade de Israel; estranhos as alianças da promessa; sem esperança e sem Deus no mundo. (Efésios 2) Mas pelo sangue de Jesus; esse status muda. Então Paulo denomina essa divisão entre gentios e os judeus como inimizade. Tal qual a “inimizade” separa gentios e judeus; o pecado separa de Deus todos os homens, sem distinção.

Jesus, pelo derramar do seu sangue coloca todos os redimidos num só corpo, a igreja do Deus Vivo, Deus de toda a verdade. (Efésios 2). Paulo desejou que “diligentemente se esforçassem por preservar a unidade do Espirito e o vínculo da paz.

Porquanto há um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. Quem são “todos”? São todos os redimidos, de qualquer origem! Há um só corpo (a igreja – que é um organismo e não uma organização denominacional). Um só Espirito; Uma só esperança; Um só Senhor; Uma só fé; Um só batismo. Depois Paulo chama os gentios redimidos de coerdeiros com os judeus. Herdeiros das promessas feitas a Abraão. (Efésios 3)

                                                      Paulo falou ao povo judeu

E falou sobre o povo judeu: Pertence-lhes a adoção; a gloria; as alianças; a lei; o culto (os cerimoniais) e as promessas. Deles são os patriarcas e deles descende o Cristo.

Mas diz que “...nem todos os de Israel são de fato israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos seus filhos”

Então prossegue: “...a boa vontade do meu coração a minha suplica a Deus a favor deles é para que sejam salvos. Porquanto desconhecendo a justiça de Deus, e estabelecendo sua própria justiça, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque a finalidade da lei (o objetivo único) é conduzi-lo a Cristo para justiça de todo aquele que crê. (Romanos 10 e Gálatas 3).

...pois todos são filhos de Deus (unicamente) mediante a fé em Cristo Jesus porquanto todos vós que fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes (assumindo uma nova imagem – a imagem de Deus). Dessarte, não pode haver JUDEU, nem GREGO (gentio), nem escravo, nem livre, nem homem, nem mulher, pois todos sois um (corpo) em Cristo Jesus. (Gálatas 3).

Tal como o pecado separa de Deus, gregos e judeus, Cristo une todos a Deus num só corpo. (esse é o ministério da reconciliação – 2 Coríntios 5). Assim o corpo (como em Romanos 11) é uma só arvore formada por ramos naturais e enxertados, mas a raiz que nutre o tronco e os galhos é uma só, Cristo!)

Então novamente citamos 1 Coríntios 10 onde Paulo exorta a todos a que não sejam pedra de tropeço para gentios, judeus e à igreja de Deus. Nesse momento, sem dar ênfase ao que é o tropeço, vãos ater à divisão:

1 - Os gentios (também conotativamente chamados de “gregos”) no contexto época da escrita da epistola eram os perdidos (as nações sem Cristo) conforme Efésios 2.

2 - Os judeus no mesmo contexto eram (para si mesmos) os detentores “de Deus” que, por meio da lei e dos cerimoniais, se consideravam ainda os únicos que se relacionavam com o Deus de Abraão.

Mas, o que diz a Palavra de Deus?     ...Porquanto Deus colocou todos debaixo da mesma desobediência (pecado) a fim de usar de misericórdia para com todos. Romanos 11.

E: ...Estamos nós em posição de vantagem? Não! Pois já demonstramos que tanto judeus quanto gentios estão todos subjugados pelo pecado. Romanos 3.

3 – A igreja de Deus. A igreja é o mistério revelado, oculto através dos séculos. Unindo todos num só corpo, a partir da redenção pelo sangue. Agora não há nação, não há povo, não há denominação. Todos formam o único corpo.

Conclusão: O que Deus vê? Ele vê apenas dois grupos e apenas uma linha que os divide: Pecadores e Redimidos separados pela linha do arrependimento.

                                        E o que acontece com a igreja contemporânea?

Ela tropeçou; polarizou-se dentro de si mesma! Dividiu-se ainda mais! Agora ela procura os próprios bodes dentro de si mesma para coloca-los “a esquerda” separando-os das ovelhas (antecipando por conta própria aquilo que Jesus disse que fará)! Mas tornou-se difícil identificar ovelhas e bodes...olhamos para a direita onde só deveria haver ovelhas e encontramos bodes ali; depois olhamos para a esquerda e vemos que há também ovelhas... quase sempre atentas a um retângulo preto (nem sempre preto) de cores vivas; e outros “feeds”; adicionando novos “followers” e dando “unfollow” em outros. 

Nada contra a modernidade. Conquanto ela não tente impor “up grade” ao evangelho, estará tudo bem! A rede social destruiu muitos dos nossos filtros; amansou o bode e tornou arredia a ovelha – confundiu ainda mais o que parecia ser lã! Caso o animal berre e mostre alguma resistência à tosquia não dá para tosquiá-lo; não há lã nele!

... e os que usam deste mundo, como se dele não usassem em absoluto, porque a aparência deste mundo passa (1 Coríntios 7).

 A igreja dentro da igreja; hiper-judeus dentre os judeus comuns; gregos troianos dentre os espartanos, mas todos helenistas; cristãos ao quadrado e cristãos ao cubo.

E Paulo não deixou de exortar sobre o perigo da autodenominação: “Eu sou de Paulo; eu, de Apolo, eu, de Cefas e outros de Cristo” Paulo pergunta: Está Cristo dividido? Não! Mas algo novo e preocupante aconteceu; a divisão que era alimentada pelos usos e costumes e pela linha pentecostal ou tradicional, agora é política e avivada com o “fervor” (político).

Essa não deveria ser a luta da carne contra a carne nem do sangue contra o sangue; é luta contra os principados e potestades...que tem um só objetivo – matar, roubar e destruir o homem que Deus criou! Lembramos do livro de Juízes, nos últimos capítulos, a narrativa da guerra das tribos de Israel, a tribo de Benjamim quase foi extinta pelos próprios irmãos.

A igreja está procurando as hostes e principados do mal dentro de si mesma. Não digo que ela não vai encontrar nada; ela vai encontrar algo sim. O problema nasce na disposição (politica) e na motivação (também) da guerra interna que se travou. Até os mais mansos aprenderam a rugir rapidamente. As armas e lanças de Golias foram tiradas do descanso...para matar irmãos! De um lado, os de “Paulo” contra os de “Apolo”, de outro, os de “Cefas” que lutam com todos...Para que os “filisteus” não passem para dentro do tabernáculo santo. É um combate ao “deus Dagom” contemporâneo. O maior problema é que ficou difícil identificar os que são “de Cristo”. Quando Paulo teve a beira de ser estraçalhado por fariseus e saduceus, ele usou uma estratégia para dividir os opositores – ele falou da esperança da ressurreição – que concorda com a fé farisaica, mas não com a “fé” dos saduceus; então, o que já estava em confusão ficou fora de controle porque fariseus e saduceus se dividiram, passando os primeiros para o lado de Paulo. Atos 23 é uma mostra de como os sábios e os poderosos caem diante de um (um só) homem de Deus.  Era um fariseu sofrendo ataque de vários fariseus em sociedade com saduceus! Eram irmãos contra um irmão. (Particularmente acho que a doutrina dos nicolaítas mencionados em Apocalipse, era próxima a doutrina dos saduceus, ou seja, negam a ressurreição) Apesar de tudo, o final foi bom para Paulo, ele não foi morto.

Mas hoje; não enxergamos à frente uma colheita boa do que já está bem plantado e sendo regado dentro da igreja. Independente de um fariseu ou saduceu abrir mão do que defende, o caos já está instaurado.

O comunismo é apenas um braço, ou um dedinho do mal. Embora seja uma metáfora, pode se dizer que aos olhos da igreja esse dedinho tornou-se nos dois fêmures, o maior ou o único mal a ser combatido, começando pelos irmãos. E o que vai acontecer na manhã seguinte ao grande dia, ninguém sabe!

                                                        Fazendo outra analogia:

No caminho de Emaús (Lucas 24) dois discípulos caminhavam desolados e confusos. No entendimento deles, tudo tinha ruído na morte de Jesus; a fé, a esperança e amor...tudo se desfizera.

...nós esperávamos que fosse ele que havia de redimir a Israel (e era mesmo) mas depois de tudo isso, é já o terceiro dia desde que tais coisas aconteceram

Jesus estava “morto” e, com ele, morreu a esperança de muitos. Eles só não sabiam que estavam falando com o próprio Jesus.

E hoje? Como estão nossas: Fé, esperança, amor e percepção da revelação do Filho de Deus presente entre nós?  O foco e o entendimento deles estavam fora de sintonia com aquilo que aprenderam do mestre ao longo de três anos. Poderíamos abrandar e dizer assim: “Foi o próprio Jesus que os impediu de reconhece-lo! De fato, foi Jesus, mas apenas impediu de reconhece-lo fisicamente, sem plantar neles medo, desanimo e confusão...apenas limitou os olhos físicos naquela fração de tempo. E logo em seguida permitiu que o reconhecessem. Mas eles já tinham se declarado “culpados”.

“Ó néscios e tardos de coração para crer tudo que os profetas disseram”

                                             Isto aconteceu no dia seguinte à ressurreição.

                                                  Como estará o Brasil no dia seguinte?

Será que teremos fechado totalmente as portas da igreja para os “gregos” ou para os “judeus”?

E quanto ao que estão dentro? Será possível restaurar o vínculo da paz e avanço do proposito que são únicos? – Salvar os perdidos, levando-os a conhecer o Deus de toda a verdade? Voltar à normalidade; fazendo o papel da igreja acolhedora, intercessora, casa do pão e casa de Deus... casa de oração! (?)

Contra quem lutamos nesses meses? (verbo no passado)! Contra quem lutamos nesta vida? (verbo no presente)!

Os que se embriagam, é de noite que se embriagam! (1 Tessalonicenses 5) Nós não somos da noite, nem das trevas... A ressaca vem pela manhã, quando perguntaremos:

                                                      O que aconteceu ontem à noite?

Sim! Conhecereis a Verdade (que é Cristo) e a Verdade (que é Cristo) vos libertará! Não dos filisteus, mas dos próprios pecados de cada um (João 8).

A partir do dia seguinte ao grande dia, os “gregos” terão entendido errado: (graças à igreja) Que não há lugar para eles ali... (graças à igreja). E a igreja voltará a pregar com aquela frase curta: Jesus te ama!

 Eis aqui o meu servo (Cristo, o filho), a quem sustenho; o meu escolhido (Cristo, o filho), em quem (em Cristo) se compraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele. ele trará justiça às nações.  Isaias 42


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Intensões Secretas II - anjos

 

Pastor M ainda muito pensativo sobre sua conversa com Jesus na semana anterior, acordara com um forte sentimento no coração: Hoje será um dia de trabalho! Todos os dias são dias de trabalho, mas hoje, Pastor M sente que Deus lhe ensinará algo. Então, optou por passar o dia na sala pastoral e ficou em espírito de submissão.


O telefone tocou. Eram pouco mais de 13:00 horas.

Dentre seus membros da igreja, havia uma irmã que, quando presente no culto, sempre tossia muito. Embora acostumado à condição da irmã, Pastor M sempre a levava à presença de Deus em oração dizendo: “Senhor; me ensinaste a amar aqueles que estão comigo; e esse amor eu aprendi quando abri essa igreja, movido por desejos materialistas; e foi nessa condição que conheci a senhora T, que hoje é sua filha pela fé e confissão do Nome do nosso Senhor Jesus Cristo, assim como eu, que antes era um mercenário, mas fui alcançado por tua misericórdia. Assim ele orava constantemente.

Ao telefone, alguém pede que ele vá até o Hospital H para orar pela irmã T, que teve um mal estar na noite anterior e que estava hospitalizada. Seu estado é grave. A visita termina as 15h.
Pastor M precisa de um milagre para chegar em tempo; precisa de um atalho a pé até chegar ao metrô; esse atalho é num bairro caracterizado como um dos mais violentos da região. O ministério, que em seu propósito maior, lhe deixaria rico, não lhe rendeu um carro, mas incendiou seu coração com amor pelos membros de sua igreja.

Agora, correndo em direção à estação do Metrô, que também não é tão perto, seriam mais ou menos uns quarenta minutos a pé; M orou:
Senhor, preciso que me envie seus anjos, perdoe me, sinto como se tivesse tentando o Senhor passando por aqui, mas preciso desse atalho para chegar em tempo. Aqui posso ser assaltado, agredido, sequestrado e até morto! Por sua misericórdia, peço: envie seus anjos.

Pastor M não percebeu nada, mas sentiu paz no coração.



Anjos acompanham M.
AnjoUm conversa com AnjoDois:
- Vamos deixar que ele nos veja!
- Por quê? Em geral não fazemos isto; nós os guardamos; eles nos liberam e nós voltamos ao nosso posto normal.
- Sim; verdade, mas quero dar a ele a visão da nossa presença; sua fé será fortalecida, e ele dará o testemunho sobre a eficácia da oração, para Glória do Pai Altíssimo.


AnjoTrês se deixa notar.
Pastor M em certo momento olhando para o chão; viu seus passos; ou melhor; viu seus sapatos e suas pernas abaixo do joelho, mas estranhou que suas pernas não estavam embaixo do seu corpo, estavam no seu lado direito. Então, sacudiu a cabeça por achar aquilo estranho. De repente viu as mesmas pernas também no lado esquerdo. Pensou estar tendo algum distúrbio da visão. Talvez por estar acelerado e por não ter comido nada. Ele via agora dois pares de pernas à direita e dois pares à esquerda; eram somente as partes das pernas a partir da metade da coxa até os pés.
Resolveu parar por um minuto; tinha uma barra de chocolate na mochila junto com a bíblia; um bloco de notas; canetas; um agasalho e um guarda-chuva.
Nisto que ele parou; aquelas pernas e pés avançaram três passos ultrapassando o; então ele entendeu... Era tudo tão estranho, tanto quanto era tranquilizador; ele estava tendo uma visão... Eram os anjos!
Resolveu olhar para trás, viu um corpo inteiro mas não distinguiu face alguma; quando virou novamente para frente o quarto anjo, o que estava à sua frente; se fez visível pelas costas.


Foi quando esse falou:
- Está surpreso fiel? Em geral vocês pedem ao Pai Altíssimo a nossa presença, mas acabam por confiar mesmo é naquilo que chamam de sorte. né?
- Acho que isto explica nossa pequenez. Vocês sempre vem?

- Sim, sempre somos enviados quando vocês pedem.

- Todas as vezes? E sempre são quatro de vocês?

- Sim, sempre, mas a quantidade de nós, varia, depende do grau de risco que você corre.

- Se o local não é considerado de risco, Deus não os ordena a vir?

AnjoTres respondeu:

Sempre há proteção para vocês, porque a luta contra as forças do mal é constante, mas quando vocês se sentem em risco notório e clamam, então o Pai Eterno nos envia como “reforço” em resposta a sua oração.
E como vocês agem? Pastor M começou colocar suas curiosidades para fora.

AnjoDois respondeu:

- De muitas formas! Podemos entrar na sua frente de modo que os homens que não nos enxergam, não enxerguem você! Ou seja, somos invisíveis a eles e nesse momento você se torna invisível também. Isso os deixa confusos, perguntando a si mesmos se não havia de fato alguém ali, eles coçam a cabeça atordoados. Essa é uma forma que impedimos muitos atos de violência contra fiéis.

AnjoUm complementou:

- Certa vez o Pai Altíssimo nos mandou proteger um fiel que seria assaltado por um bando e talvez seria morto. Nesse dia o Pai Altíssimo nos mandou na mesma quantidade que eles eram e nós nos tornamos visíveis com os mesmos rostos e corpos deles como se estivessem diante de espelhos, mas nossa estatura era bem maior. Ficaram confusos e com medo. O Pai confunde os adversários.

- Por que você diz que “talvez aquele fiel seria morto”? Vocês não sabem?

AnjoTrês respondeu:

- Não somos oniscientes, sabemos apenas aquilo que o Pai revela a nós; por exemplo, você está aqui nesse local, meio assustado; você não sabe se será atacado, tampouco sabe se será morto. Nós também não sabemos; apenas estamos aqui; mas saiba que temos a força para neutralizar qualquer ataque que você sofra. Quanto a ciência de todas as coisas, só o Pai Eterno tem essa ciência.


- Certa vez eu me fiz visível em figura de uma policial diante de um agressor de mulheres, ele era um homem alto e forte, aparentemente tinha dois metros de altura. Disse o AnjoDois.

- E, na figura de policial feminino você intimidou um agressor de mulheres?

- A natureza humana reconhece autoridade, isto o Pai Eterno colocou dentro deles, portanto eu estava naquela figura justamente para que o agressor me visse, acima de tudo como uma autoridade sobre ele – ele não via uma mulher no real sentido da visão; ele via a autoridade terrena. Respondeu o Anjo.

AnjoUm complementou:

- O mesmo acontece com vocês na batalha contra os inimigos. Eles olham para vocês, mas obedecem a autoridade maior que há no Nome de Jesus Cristo – por isso é vital que usem a autoridade do Nome dele. O Nome dele é como a presença viva dele.

Pastor M parecia estar se divertindo quando perguntou:

- Vocês já se mostraram em forma de carro tanque ou em cavalos como aqueles dos grandes guerreiros dos filmes? Poxa, parece divertido.

Os quatro anjos responderam ao mesmo tempo com um tom de voz mais assertivo:

- Não! Não é divertido! A realidade de uma guerra espiritual é ignorada por milhares de fiéis, mas o Pai conta cada centímetro do campo de batalha; e é uma batalha tão seria quanto real. É guerra! Em geral quando estamos visíveis, assumimos a figura humana, e é por isso que vocês quase nunca percebem que estamos ali; embora devessem ter a certeza, pois pediram nossa presença ao Altíssimo. Tanques de guerra são tecnologias dos homens e os animais estão sujeitos ao homem; por isso, quando aparecemos visíveis; temos a figura daquele que cava seus próprios males - o próprio homem. Essa é a ordem que temos.

- Não existem brincadeirinhas no exército celestial. Disse o AnjoQuatro.

- Vocês podem me levar a um lugar extremamente perigoso para me dar uma demonstração?

- Não. Não podemos!

- Por quê? Vocês são programados? Não tem liberdades?

- O que eu quis dizer é que não temos permissão. Disse novamente o AnjoQuatro.

-Por duas razões: Não podemos expor você ao perigo. E não fazemos demonstrações arbitrárias para mostrar nossa força e roubar a Glória devida somente ao Pai Eterno. Entenda: A guerra é real! Não podemos fazer essas demonstrações pois o adversário pode levar vantagem sobre você.

- Sobre mim? Mesmo tendo vocês comigo? Perguntou Pastor M, sem entender bem as palavras do anjo.

- Sim! Nossa proteção é certa, mas ela também tem a ver como o grau de sua santidade! Levar você para um campo de batalha mais sangrento para sermos exibicionistas seria um ato de desobediência de nossa parte e seria um reflexo de uma vaidade sua...entende? Você cairia no seu próprio laço! Nós seríamos o seu reflexo e o inimigo venceria a nós todos.

- Como assim? (Pastor M ficou meio envergonhado)

- Somente um fiel carnal desejaria isso. Crentes carnais não entendem a guerra por isso acham que podem se expor ao risco como aqueles filhos de Ceva, como está escrito na Palavra de Deus. Essa carnalidade seria sua fraqueza e seria a força do adversário. Entenda: Em campos de batalha mais sangrentos há demônios mais poderosos e embora possamos vencer qualquer demônio, É a sua estatura espiritual e não a nossa que vai garantir sua Vitória. Se você é exposto a um ataque maior do que sua estatura espiritual possa suportar nós agimos instantaneamente por ordem do Eterno. Mas se você mesmo se expõe além de sua fé; sua própria vaidade traz sua derrota; será um duro aprendizado! Tudo é muito sério no trabalho do Pai Altíssimo. Explicou pacientemente o AnjoDois.

- Caso eu sofra um ataque maior que a força da minha estatura, vocês podem agir livremente e instantaneamente?

- Sim; é nossa missão na terra, dentre outras.

-E se vocês falharem?

- Nunca falhamos, é o poder dado pelo Senhor dos Exércitos que está em nós.

- Entendi que posso estar em perigo ou não. E, num caso em que não há perigo, vocês vão embora?

-Vamos quando você nos libera. (disse o anjo)

- Como assim? Geralmente eu nem vejo vocês! Como que eu libero se não estou vendo?

- Quando você agradece ao Pai, nós somos liberados.

Pastor M estava maravilhado com tudo que estava ouvindo.

- Explique ainda: Se eu peço ajuda onde não há perigo, pode acontecer de Deus não responder?

- Ele responde sim; Ele nos manda do mesmo jeito. Manda porque você pediu. Disse o AnjoTrês.


- Mas se não há perigo, ele manda vocês virem do mesmo jeito?

-  Sim. O perigo nesse caso é o seu medo. Vou explicar melhor: Nesse lugar, o que você pode temer?
Roubo, sequestro, agressão, homicídio. Tudo isso, não é? Mesmo que na realidade nada disso vá te acontecer; nós somos enviados por causa do seu medo e na proporção do seu medo. Hoje somos quatro defensores. Quatro possibilidades, quatro anjos. Explicou o AnjoUm.

- Como assim? Mesmo que não aconteça? Se não vai acontecer; por que Deus manda vocês?

- Porque você pediu!

- Mas ele sabe que não precisa. Disse o pastor.

- Sim! Mas você pediu proteção e Ele tem a alegria de nos enviar. Quando chegamos, você sente uma paz que nem sempre sabe de onde veio. É a presença do espírito do Pai em nós.

- E vocês não se sentem usados desnecessariamente?

- Não! Nunca nos sentimos assim! Vou explicar: O Pai Altíssimo tem alegria de atender você e nós temos a alegria de obedecer às ordens dada pelo Pai.

- Mas se não existe perigo; vocês não me socorreram de verdade.

-Socorremos sim! Do seu próprio medo!

-E aqueles que não tem entendimento? Que são inexperientes, que não buscam por meio da oração e da Palavra?

- Lembra de Paulo? (disse o anjo) A graça do Pai Eterno está sobre eles. Esse seu exemplo não é como o exemplo de Paulo que estava em constante comunhão com o Pai, a resposta do Pai é universal: “Minha graça é suficiente sobre você; nem mais nem menos”. Essa graça está sobre todos. Disse o AnjoDois.

- E se eu não peço um anjo ao mesmo tempo que estou num local tranquilo?

- Ainda assim estamos presentes a certa distância como vigilantes em suas guaridas.

- Por quê? Se não há perigo visível!

- Por causa do leão que ruge buscando alguém para tragar.

- Então vocês defendem todos?

- Todos que fizeram a confissão! “Acampamos ao redor dos que O temem e os livramos”

- Então nunca defendem um ímpio?

AnjoQuatro respondeu:
- Esse é um mistério que você vai entender agora; milhões deles são defendidos tanto quanto são os fiéis - até mesmo assim como você; bem de perto como agora.

- Mesmo?

- Sim; quando há intercessão por eles; de parentes e amigos fiéis. Mas nota um detalhe: Por toda a vida de um fiel, o Pai garante a proteção mesmo quando não estão 100% firmes ou quando esses tem uma vida entre espinhos, Ele os defende por causa da Nova Aliança no sangue do Nosso Senhor. A condição para eles é não sair do caminho; é a perseverança! Um dia esses terão a experiência de refinamento espiritual. Mas o Pai não deixa de protegê-los por serem "meninos na experiência". Mas para os ímpios; o livramento para esses sempre está condicionado à intercessão que o Pai Altíssimo recebe; se essas orações cessarem; o adversário consegue levar suas vidas

- Levar?

- Sim - o anjo da morte está presente nesse momento; e nós também. Isto é um exemplo de batalha como aquela relatada duas vezes com a presença de Miguel um dos mais destacados entre nós.
Se essas orações cessam em favor deles nós não nos apresentamos ali nesse momento...então a morte prevalece.

- E já aconteceu de vocês estarem ali e perderem o combate ocasionando na morte do ímpio?

- Não; nenhuma vez. Respondeu o AnjoUm.

- Como já disse; nós vamos por ordem do Pai Altíssimo e essa ordem sempre se deve à oração que chegou ao trono dele. Não há falhas na oração, assim como, obviamente nenhuma falha procede do Pai. Se estamos ali; a Vitória já aconteceu. Pelo poder dEele.

- Mas.... Há casos de morte de justos que vai até para os principais jornais...

- Esses casos nunca se torna em perda para o trabalho do Pai; em geral são como pequenos martírios - redundam em força para os irmãos vivos.

- Essas mortes específicas de justos são casos particulares sob total controle do Pai Eterno.

- Entendi essa, mas fiquei com outra dúvida. Disse o pastor. - Já vi muitos fiéis passarem por grandes provações...e vocês disseram que sempre estão presentes. Como se explica?

AnjoDois respondeu:


- Entenda! Um fiel que ora e se firma nas Escrituras, tem nossa cobertura mesmo quando não pede e essa cobertura é proporcional ao perigo.

- Proporcional?

- Sim, mas para você entender a proporcionalidade faça o cálculo do exército de Gideão. Era um exército de 300 homens que derrotou 135.000 midianitas. Em poder somos um para 4.500 inimigos. Nesse caso, agora somos quatro protetores equivalendo a 18.000 homens guerreiros naturais. É importante que os fiéis conheçam a Palavra de Deus. Nós ficamos tristes quando a Palavra é desprezada pelos fiéis na terra. E, também quando não oram. Orações são nossa Central de chamados no reino do Pai.

Então, Se não oramos vocês ficam ociosos?

- Não! Nunca estamos ociosos. Há muito trabalho na nossa missão.

 - E, se oramos muito, vocês ficam cansados de trabalhar por nós?

- Não! Amamos trabalhar para o Pai Altíssimo! Ininterruptamente.


Pastor M quis saber um pouco mais sobre os ímpios.

- Entendi que um ímpio recebe livramentos quando há orações intercessoras por eles. Quer dizer, que, se um ímpio orar espontaneamente, não será atendido? - O Pai não os atende, pelo fato de os pecados deles impedirem que vocês triunfem em favor deles?


- Essa resposta é simples, mas é dolorosa; em geral a voz deles é que não chega por causa dos seus pecados. Suas orações ecoam para dentro de seus egos pois amam o pecado. Eles não tem o que vou chamar aqui de espírito de invocação com diz a Palavra de Deus: “aba” (Pai). Eles não O tem como “Pai”. Não O respeitam, não O buscam. Eles fazem um grito de socorro a um Deus que eles não temem nem adoram. É um grito pelo medo; saindo da boca de um estranho, e não o grito de um filho. Para entender melhor ainda; digo que eles chamam pelo Pai na mesma forma e com as mesmas palavras que invocam qualquer entidade espiritual. Mas o efeito de uma intercessão é que nesse momento eles são envoltos em graça e misericórdia. Quando encerramos nosso trabalho momentâneo, eles ficam novamente entregues aos seus desejos, seus perigos, suas escolhas.

- Então eles morrerão?

- É por isso que as orações não podem cessar; nunca!

O Anjo respondeu mudando o tom de sua voz. Parecia preocupado.

- Qual seu nome? Aliás, como se chamam vocês todos? Perguntou M.

- Nossos nomes celestiais não são importantes aqui na terra. Ha um só nome que o Pai elevou ao poder e excelência na terra: O nome de Jesus, seu filho. Esse é o nome mais importante que se pronuncia na terra
Quando ouvimos esse nome; nos dobramos. O seu próprio nome diante do Pai Eterno, não é esse; esse é seu nome terreno dado pelos seus pais. O Pai reconhece seu nome terreno, mas esse não é seu verdadeiro nome diante dEle. Ele te revelará no último dia. É por causa dos nomes que você não pode nos chamar diretamente e, também nós não podemos vir diretamente porque você é identificado pelo outro nome que só o Pai conhece. Isto está escrito! Recebemos as ordens específicas e é o Pai que nos mostra o fiel a quem vamos socorrer. Os estranhos não têm nome. Nós só os socorremos quando o Pai Altíssimo atende uma intercessão em favor dos tais. Em geral para nós eles são estranhos e nós, também para eles.

Pastor M ficou entusiasmado com essa revelação.

- Quer dizer que vocês podem vir livrar um traficante por exemplo?

- Já fizemos isso milhões vezes. Muitas mortes foram impedidas porque havia oração por eles; são filhos; cônjuges; irmãos; pais; sobrinhos, amigos; fiéis que oram por eles.

- Chegamos ao seu local! Interveio o AnjoQuatro.

Pastor M estava tão envolvido na conversa que perdera a noção do tempo.

- A essa altura já perdi o horário de visita!

- Não! Ainda não começou o horário de visitas.

- Como assim? Estamos conversando há horas...

- Talvez, se considerássemos o seu relógio de pulso e o movimento da terra. Mas, o Pai domina sobre todas as coisas. Tudo que conversamos enquanto caminhamos até aqui aconteceu dentro do tempo que você tinha para chegar. O relógio que mediu esse tempo não foi o seu relógio, foi o relógio de Deus.

- Você não precisa entender isto agora! – Vá! Você precisa orar pela serva de Deus.

Imediatamente o pastor se viu na recepção do hospital.

- Boa tarde, nós viemos visitar a paciente T no quarto 316; “graças a Deus chegamos em tempo”.

A recepcionista respondeu:

- Tudo bem; mas os outros visitantes deverão chegar nos próximos cinco minutos, pois todos devem se dirigir à outra recepção dentro do horário.

O pastor então notou que os anjos não estavam mais ali; pois ele já tinha dado “graças”.

 

·         Esse texto foi escrito quando eu saia para um compromisso. Eu tirava da carteira os cartões magnéticos de bancos pois pensava: “Caso sofra algum assalto, os cartões terão ficado aqui em casa”. Ao mesmo tempo pensei: “É melhor ter algum dinheiro na carteira, porque, “caso sofra algum assalto, terei algum dinheiro para os assaltantes levar”. Então senti fortemente uma advertência: “Se Deus pode permitir um assalto quando tem pouco dinheiro na carteira, para que não sofra prejuízo, Deus também pode impedir qualquer assalto quando você tenha qualquer outra quantia e, também tantos quantos forem os cartões magnéticos que tiver”. Logo vi, que eu estava sendo insensato; confundindo prudência com falta de fé. Confundindo tudo com tudo e demonstrando somente a falta de fé – que desagrada a Deus. Quando então saí; tive a inspiração do que escrevi acima.

 

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Do documentário "Chama Flamejante"

 


                                       Desiderio Erasmo e a Reforma Protestante

No  final  do  século  XIV  a Igreja  Católica Romana  comissionou  um  homem  chamado Erasmo, para compilar a partir dos sete manuscritos gregos que ele tinha disponíveis, um texto recebido, um texto comumente recebido que eles chamaram de "Textus receptus". (*)

Desiderio Erasmo, de Rotterdam, Holanda, erudito, monge, amante da língua grega, e, um notável erudito, que seria para sua época o que (Albert) Einstein seria para a nossa. Se você recebesse uma carta de Erasmo, você não a guardaria apenas, você iria emoldurá-la e a guardaria como herança para outras gerações. Ele era o porta-voz da elite intelectual. Ele estava interessado na reforma, mas para ele, a reforma significaria a purificação exterior do exercício da corrupção. Ele não estava interessado em mudanças doutrinarias, ele se opunha a qualquer tipo de Reforma que levasse a uma cisão, portanto, mais tarde haveria uma separação entre Lutero e Erasmo; mas ele foi um instrumento importante ao produzir esta... eu diria... ferramenta; porque ele preparou - e foi publicada em 1516 - a edição do texto padrão do Novo Testamento em grego. Os homens poderiam avaliar por si mesmos (aqueles que tinham essa capacidade) as diferenças entre os textos. E este texto grego de Erasmo, que naquele momento (graças à prensa de tipos móveis uma ou duas gerações anteriores) teve ampla distribuição e ficou acessível ao estudo, tornou-se a base de praticamente todas as traduções bíblicas importantes do século 16, nas línguas maternas dos povos. Embora eu discorde de Erasmo em muitas coisas, pois há muitos aspectos conflitantes no que ele acredita... Para ele, o cristianismo era apenas uma questão da ação da maneira de viver. Ele diria que: "A doutrina simplesmente divide; a vida demonstra". Mas não há vida cristã aceitável a Deus que não flua primeiramente de uma crença na verdade bíblica: Justificação pela fé; cada fiel é um pregador; a autoridade das escrituras, etc... Então eu tenho que assumir uma postura doutrinária antes de viver uma vida cristã. Erasmo era muito a favor da reforma, a qual se referia como a eliminação da corrupção, da ignorância de pregadores, monges e freiras e da vida imoral de alguns, e, assim por diante; mas ele nunca percebeu que a raiz da reforma era a regeneração. Ele queria melhorar e purificar... mas isso é uma demão de tinta numa casa tomada por cupins. A aparência fica melhor, mas os fundamentos continuam deficientes. (**)


Digitação das falas de:

* Dr. David Beale                                                                                                                              Teacher of Church History & Bible Bob - Jones University

** Dr Ed Panosian                                                                                                                             Teacher of Church History  -  Bob Jones University 

Documentário:                                                                                                                                  "Chama Flamejante" - História da Bíblia - BV Filmes - Disco 1 - a partir de 00:34:13

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Necromancia - Possível no caso de Samuel?




Saul – Samuel – Necromancia

 

Introdução.

Defender Deus! Não cabe ao homem que Ele criou! Ele não precisa! Essa tentativa vai revelar duas coisas intimamente ligadas: A grandeza de Deus e a pequenez do homem. Os limites que foram colocados sobre o homem, não se aplicam a Deus pois Deus não tem limites. Deus não age contra sua própria natureza, por mais que (no entendimento de muitos) possa parecer que sim.        Há um texto (poderiam ser mostrados centenas) que mostra o Deus altíssimo numa dimensão que está além da nossa compreensão: (em Lucas 20:27-38) Jesus fala sobre a ressurreição dos mortos: Os saduceus se apresentaram diante dele com uma questão a ser esclarecida: Acerca da Lei do levirato: Uma mulher casou-se, ficou viúva, seu cunhado a tomou para si, para suscitar descendente ao falecido, esse morreu também sem deixar filho; sucessivamente morreram seis irmãos que foram primeiramente cunhados dessa mulher e tornaram-se seus maridos, um a cada vez, sucedendo o falecido, todos morreram sem suscitar descendente ao primeiro. Por fim, morreu também a mulher! Os saduceus perguntaram: Se os sete a possuíram, a qual deles ela pertencerá na ressurreição dos mortos? Essa questão tinha um tom irônico, pois eles não acreditavam na ressurreição. Em outras palavras eles diziam assim: “Se a ressurreição existe, Deus tem um problema para resolver”! Jesus, após responder acerca de uma suposta união conjugal no céu, completou depois dizendo: “E que os mortos hão de ressuscitar, Moises o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao Senhor, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus de mortos, e, sim, de vivos; porque para ele todos vivem”.

Todos estão vivos perante Deus!       Esse é um conceito que só se recebe por fé!

O texto de 1º Samuel 28 é, talvez, o que causa mais polêmica na bíblia! Saul estava prestes a travar uma batalha contra os filisteus. Saul foi tomado de medo e estremecimento ao ver o acampamento dos inimigos – ele precisava de uma palavra – Saul precisava falar com Samuel antes de dar um passo na direção do inimigo na batalha! Mas, Samuel havia “morrido”.

Qual pode ser a ação de um morto em meio aos vivos? Essa é a grande polêmica!

 Samuel “subiu por invocação de uma médium, a pedido de Saul?

Sobre Saul:

Saul era o homem segundo o coração do homem, um rei que foi reivindicado por homens que disseram: “Queremos ter um rei sobre nós, como o têm as nações”! Saul foi ungido rei num momento em que Israel queria ser “como as nações” – o povo pensava que estava sem direção e se esqueceu que Deus era seu rei! Saul era um homem que não conhecia a Deus; ele foi um rei a altura do coração do povo! Saul veio a ser uma pequena bomba relógio para Israel. Samuel ungiu Saul a mando de Deus que, por sua vez, atendeu ao pedido do povo. Saul não tinha uma relação com Deus.

Sobre Samuel:

Samuel foi um homem cuja mãe o pediu insistentemente a Deus, e que, para Deus foi devolvido por ela, livre e espontaneamente. Em outras palavras, Ana pediu um filho, não para ela, mas para pertencer ao próprio Deus. Ele foi um profeta gerado no ventre de uma mulher que conhecia Deus pela oração.

 A loucura de Saul poderia ser desastrosa para o reino que viria:

Quando se lê Mateus 1:17 entende-se que o plano de Deus está dividido em quatro eventos marcantes:

1- O chamado de Abrão; 2- O chamado de Davi; 3 - O cativeiro babilônico e 4 - a ressurreição de Jesus. São três grupos de quatorze gerações cada. Saul foi o primeiro rei de uma dinastia que estava iniciando, e, que, teria uma marca no plano de Deus.

O reino de Davi – estava prestes a iniciar – Israel passaria por uma transição:

Davi foi um homem segundo o coração de Deus, foi ungido rei pelo profeta Samuel, a mando de Deus, e pelo desejo de Deus, não pelo desejo do povo.

De um lado, o povo!      Acima do povo, Deus!     Entre Deus e o povo, Samuel, que, por sua vez estava entre dois homens: Saul e Davi!      Deus apontaria o destino de Israel.

O canal da intermediação:

Saul precisava falar com Samuel; logo ele pediu que seus servos lhe trouxessem uma mulher necromante – para que o “morto” Samuel lhe falasse através dos lábios dela!

Definições:

Médium: Segundo o espiritismo, o intermediário entre os vivos e a alma dos mortos. (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira; 1975)

Necromante: Pessoa que pratica a necromancia; pessoa que invoca os mortos. (Aurélio; 1975).”

Jesus disse: “Deus não é Deus dos mortos, porque para Ele, todos vivem"!

A médium de En-Dor:

Saul em seu zelo pela Lei de Deus, havia desterrado todos os médiuns e adivinhos. Mas, em seu momento de medo dos filisteus, consultou o Senhor, porém o Senhor não falou, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.

Saul pede aos seus servos que lhe apontem uma necromante.

O consulente:

Saul se disfarça, despe-se de suas roupas reais e coloca outras roupas (!) para se encontrar com a sua mediadora. Nesse ato de disfarce, Saul renuncia a Deus (ênfase minha), apesar de buscar a voz do profeta de Deus ou a voz de Deus pelo profeta, ele tira de si as roupas que o identificam como rei de Israel ungido de Deus.

 Então a mulher, que não o identificou como o rei de Israel, lhe perguntou:

Quem lhe farei subir?

Notável é que Saul estava em total confusão mental ao pensar que falaria com Deus por esse canal. O Próprio Saul havia desterrado os médiuns por saber que suas práticas eram condenadas por Deus. O médium não tem um espírito mensageiro subordinado a si; o médium é ferramenta do espírito que o usa. Ele lhe diz: Faça-me subir a Samuel.

Nota.: Se esses “guias” que usam seus instrumentos humanos, fossem subordinados aos tais, não haveria nenhum problema quando “um homem instrumento” decidisse “dispensar seus serviços”, mas não é o que acontece. O “homem instrumento” é subordinado ao “guia”. Se o homem instrumento decide abandonar essa “sociedade”, o tal é considerado como obstinado e desertor, então, instaura-se a guerra – requerendo uma intervenção mais forte. Paralelamente podemos ver a história dos hebreus no Egito e a guerra pela libertação do poder do faraó. E podemos ler Romanos 6:11-23 que diz que o pecador se torna dominado pelo pecado e não dominador sobre aquele.

A invocação:

A bíblia não revela que a mulher iniciou qualquer ritual de invocação. Ela pode ter feito uma invocação, ou não! (Parece haver uma cisão brusca entres os versos 11 e 12 - e essa "quebra" é justamente abertura para os argumentos pró e contra) Vendo a mulher a Samuel, leva um susto! Por que a necromante levou um susto? Porque seu “mestre” não se manifestou. Até esse momento, eram protagonistas Saul e a necromante; a partir de então, Deus intervém, mandando Samuel para repreender o rei de Israel.  Quando a mulher vê Samuel, ela leva um susto, então fica claro que algo estranho para ela aconteceu! Ela conhecia o espírito que lhe apareceria, ela era instrumento daquele espírito que a possuía para responder às indagações de seus consulentes. A mulher conhecia Saul (por isso ele disfarçou-se) mas não conhecia Samuel, ela apenas descreveu sua aparência: “Um homem envolto em um manto” e isto foi suficiente para Saul (que conhecia Samuel). Nota-se que Deus interveio no momento que a mulher pergunta: “Por que me enganaste? Pois tu mesmo és Saul! Nesse momento, Deus tirou a máscara de Saul diante da mulher, e bloqueou o ritual dela impedindo a manifestação de seu mestre espiritual – pois o reino de Israel seria impactado pela mensagem do demônio que falaria por intermédio dela. (Ela conhecia a forma como Deus trabalha com Israel - Deus fala atravez do profeta! O profeta fala ao rei, ao governador, ao sacerdote - quando o profeta fala ao cidadão comum, isso está em conecção com o rei e com o reino. E todos sabiam que Samuel era a voz de Deus para Sauel. Se Samuel apareceu é porque quem estava diante dela era o rei de Israel)  Daí vem outra pergunta: Samuel aparece por invocação a mulher? Ou por intervenção de Deus? Estaria Samuel sujeito ao chamado de uma necromante? Aliás ela propria é que era sujeita ao espirito enganador!

Em 1 Samuel 15:23 diz: "... ... visto que rejeitaste a Palavra do Senhor, ele também te rejeitou, para que não sejas rei".   [A partir daqui Saul já não é mais rei no plano de Deus, embora ainda esteja no trono; e Deus não fala mais com ele. Samuel sai de cena (da vida de Saul).  Porém há uma seria questão - Deus ainda tem uma relação com Israel. Se Deus não fala mais com Saul, satanás se dispõe (estaria disposto a) a falar... ...   Daí os argumentos tomam mais força].

 O impacto:

Saul queria ouvir o profeta. Saul estava em tamanha decadência espiritual, que aceitaria qualquer instrução que lhe chegasse aos ouvidos, e isto seria desastroso para si, para o reino e seu povo, o Israel de Deus. Daí a defesa de que Deus (e não Satanás) interveio enviando Samuel para repreendê-lo. Além do mais, Samuel, embora morto para Saul, não era um morto para Deus. Não apareceu ali um “morto” e sim um “vivo de Deus”. Estava para vir um reino muito importante (eterno) no plano de Deus, o reino de Davi. (“...tirou o reino da tua mão e o deu ao teu companheiro Davi” (1º Samuel 28:17b)). Jesus é o Leão de Judá (Judá é neto de Abraão), a raiz de Davi. (Apocalipse 5:5). Deus não permitiria que um demônio desse instruções (veja João 8:44 e 10:10) que impactasse no reino que viria.

O reino de Saul já estava acabado – nota que Samuel não lhe deu instruções da parte de Deus, Samuel somente o repreendeu duramente. Não havia mais lugar para Saul no plano de Deus.

Nota.: Não se sabe da manifestação visível de um ente falecido em seções espíritas. Sabe-se (pelos que acreditam e buscam “tais recursos”) que o ente falecido fala pela psicografia mediúnica, ou pela voz modificada do médium. Nesse caso, fica mais fácil explicar o susto da necromante. Penso que ela não teria uma visão (não esperava ver ninguém) e sim que ela apenas diria palavras em nome do suposto morto invocado.

A necromancia em si é uma obra abstrata, Deus condena aqueles que recorrem a ela, Saul foi condenado por isso. Mas a bíblia não diz que Samuel apareceu por invocação da mulher.  Pelo que se sabe da necromancia, o "morto" fala através da boca daquele que é o canal e não diretamente com o consulente como se vê nesse caso, pois Samuel falou diretamente com Saul, ignorando por completo a mulher, que se tornou uma expectadora assustada.

Deus dá liberdade ao homem para trilhar até os caminhos da morte e dos terríveis pecados, se este o queira, mas intervém quando a ação de um homem (diga-se aqui, um líder) pode causar impacto nos seus planos para a humanidade (temos muitos exemplos: Atalia, Jezabel, Acazias, Pasur, os falsos profetas  e o próprio Saul, entre outras dezenas de pessoas).

Sobre a identidade de Samuel e do espírito mentor:

A polemica em torno desse texto é:    Era Samuel ou um espírito se passando por Samuel?

A bíblia relata poucos diálogos diretos entre Satanás e alguém, mas é interessante destacar que em todos os casos, Satanás está revelado e manifesto como tal:       A serpente falou com Eva – Eva sabia que ele era a serpente.    Satanás falou com Deus em relação a Jó – Satanás não tentou (se fosse possível enganar Deus) se passar por outro. Satanás falou com Jesus no deserto – Satanás não tentou (se fosse possível enganar Jesus) se passar por outro. A personificação espiritual e a proposta em cada caso, apontam realmente para o ser espiritual que estava em cena; diga-se: Há sintonia entre a proposta e o personagem. Em alguns eventos de expulsão de demônios, esses se manifestaram em palavras: “Que temos nós (os demônios) contigo?” Não está claro na bíblia que houvesse um ser se passando por Samuel! Na verdade, é mais difícil provar que não era ele do que admitir que era ele. O texto em discussão cai na análise pessoal de cada leitor. Quando os demonios falam na biblia - a própria biblia diz quem eles são.

Nota.: O maior problema dos homens é a ignorância sobre Deus. Ou conhecem bem pouco sobre ele ou não conhece nada sobre ele. O conhecimento de Deus começa pela leitura incansável da Palavra escrita; juntando conceito a conceito; revelação a revelação, partes pequenas com partes grandes, e, assim, o todo se faz, gradativamente. Para entender uma parte ínfima de uma partícula também ínfima de Deus e preciso “tirá-lo” de dentro da caixinha da lógica e limites humanos.

Trata-se de defender a existência da prática necromante? Trata-se de defender a permissão para a prática? Trata-se de defender que Deus abriu uma exceção à prática? Deus não impediu Saul de ir e de falar com a mulher! Isto está na esfera da liberdade que Deus deu ao homem. Mas Deus não permitiu que um espírito estranho falasse ao rei de Israel (ele ainda era rei). Só Deus sabe quais desastres advinham de uma situação como essa, pois Saul estava disposto a ouvir e seguir instruções!

 Em defesa de Deus:

Todos que defendem que Saul estava diante de um espírito enganador, o fazem “em defesa de Deus”. Deus, que condena a prática da necromancia, não poderia se manifestar por invocação mediúnica! De fato, não poderia! E Deus não se manifestou pela invocação da médium! Então o que aconteceu ali foi uma intervenção!

Vamos atentar a um texto que relata a semelhante intervenção de Deus muitas décadas depois:

Muito similar:

2º Reis 1:1-8 (Esse texto mostra uma intervenção de Deus nos dias do profeta Elias). Numa rebelião de Moabe contra Israel, o rei Acazias caiu pelas grades de um quarto alto, em Samaria, e adoeceu. Ele enviou mensageiros para que perguntasse a um demônio, Baal Zebube, deus de Ecron, se ele seria sarado de seu mal. Mas o anjo do Senhor, revelou a Elias o propósito de Acazias e lhe mandou interceptar os mensageiros e levar um recado ao rei: “Porventura não há Deus em Israel, para que você vá consultar a Baal-Zebube? Por isso, saiba que você morrerá, não se levantará desta cama! Quando os mensageiros voltaram, o rei perguntou: “Por que voltastes?” Os mensageiros disseram que foram interceptados por um homem que lhes mandaram trazer tal advertência ao rei!

Nota-se a semelhança da ação de Deus quando o rei pergunta: Qual era a aparência do homem? Após darem a descrição de um homem, vestido de pelos e com os lombos cingidos com um cinto de couro, o rei diz: “É Elias, o tesbita!”   

Saul também perguntou para a mulher qual era a aparência do santo que subia. Quando ela o descreve, Saul entende que é Samuel. Curiosamente a mulher não descreve o rosto, ou os cabelos brancos, nem a estatura. A pequena descrição que ela deu, foi suficiente.

Baal-Zebube não recebeu os mensageiros, portanto não pode dar resposta nenhuma ao rei, tal qual o espírito que usava a médium de En-Dor não pôde falar com Saul. E, se Baal-Zebube era um “deus”, como seria sua resposta? Seria através de um agente espiritual, um profeta de Baal, não haveria visão aos olhos de ninguém, somente palavras. Pela segunda vez, Deus foi ao encontro de um rei desequilibrado.

Era Samuel?

Olhando somente para o texto. Verso 12: “Vendo a mulher a Samuel...”; Verso 15: “Samuel disse a Saul...”; Verso 16: “Então disse Samuel...”.

Uma linguagem de profeta de Deus que fala por Deus.

Voltando aos versos 16-20: A linguagem de “Samuel” é realmente uma linguagem de profeta. E por fim, Saul cai com rosto em terra; um homem que esteve em confronto com o verdadeiro Deus!

No verso 15, Samuel faz uma pergunta que é interessante: “Por que me inquietaste, fazendo-me subir?” (ARA, ARC e Thompson) “Por que você me perturba, trazendo-me aqui?” (Bíblia judaica); “Por que você me perturbou, fazendo-me subir?” (NVI). Naturalmente esta não seria a pergunta feita por um demônio, pois esse “guia espiritual” viria prontamente! Não seria uma importunação.

 Os interesses dos espiritualistas:

O contexto em geral não dá força aos interesses espiritualistas em relação a essa prática, apesar de que em nenhum momento se questione a existência da prática, não seria inteligente usar esse texto da bíblia em favor da necromancia. E os próprios méritos da personalidade da pessoa (Saul) que buscou esse recurso não fortalece a propaganda. O próprio Saul era tomado de um espírito atormentador que era expulso ao toque da harpa de Davi.

Nota.: Falamos da soberania de Deus acima de tudo! Quanto a esse espírito atormentador sobre Saul, a bíblia relata da seguinte forma: “No dia seguinte, um espírito maligno da parte de Deus, se apossou de Saul, que teve uma crise de raiva em casa...” (1 Samuel 18:10). Em 1 Samuel 19:9 menciona-se novamente: “... o espírito maligno da parte do Senhor tornou sobre Saul...” Em 1 Samuel 19:18-24 temos um relato não menos curioso, pois nesse, Saul é tomado pelo Espirito de Deus (o mesmo que estava sobre Samuel e os demais profetas em Ramá) e este, profetizou.  Sobretudo Deus é soberano!

Portanto, percebe-se que a condição desequilibrada do rei faz parecer natural que busque tais práticas mesmo. Não se trata de provar que a necromancia existe; não precisamos  provar que o Espirito de Deus NÃO se manifesta por meio dessas invocações; o interesse dos mediúnicos seria provar que Deus aprova a prática; mas o desenrolar e o desfecho desse evento só mostrou um homem sendo repreendido mais uma vez. Não precisamos negar que era Samuel para “defender Deus”! Podemos afirmar justamente que era Samuel porque Deus interveio, para evitar o desastre.

Olhando para o diálogo que foi desenvolvido, fica claro que os interesses dos espiritualistas não são satisfeitos pois as palavras de Samuel tinham foco na relação de Deus com seu povo, Israel e com o seu rei ungido, Saul, que estava em decadência espiritual e política (um demônio não falaria do modo como Samuel falou).     Os “defensores de Deus” poderiam dizer: “Se era Samuel, então a necromancia é eficaz e é permitida por Deus! É claro que ela é eficaz! É eficaz de acordo os interesses de quem recorre a ela. E, nem os necromantes, nem os consulentes estão preocupados em distinguir quem está falando com eles, se são anjos, homens ou demônios! Quando uma pessoa vai buscar esse “contato”, ela está longe de querer “testar” ou provar a identidade do morto consultado; ela “tem certeza” de estar “falando” com o morto querido...

Mas...

E quanto à permissão de Deus? De fato, Deus dá ao homem a liberdade de fazer o que quer, sem lhe negar a certeza de que tudo que o homem faz lhe é creditado na conta. Permitir não é aprovar! No mundo há milhões de locais para a prática necromante; e Deus não lhes lança uma bomba atômica!

O teste de um verdadeiro profeta.      Nenhuma frase do relato bíblico sugere que não seja Samuel. As palavras de 28:15 a 28:20 são de um diálogo no qual “Samuel” fala como “Samuel”, de modo que, uma falsa identidade ali, é apenas sugestiva.

As frases:      “Samuel perguntou a Saul: Por que você me perturbou, fazendo-me subir?”; “Disse Samuel: Por que você me chamou, já que o Senhor se afastou de você e se tornou seu inimigo?”; “O Senhor fez o que predisse por meu intermédio...” E o verso 20 diz que Saul caiu estendido ao chão, aterrorizado pelas palavras de Samuel”. Por último, o capítulo 31 monstra Saul caindo diante dos Filisteus, exatamente como “Samuel” lhe revelou que seria em 28:19. De acordo com o teste de um verdadeiro profeta de Deus, as palavras se cumpriram.

Conclusão.

Samuel esteve ali, falando com Saul. Essa foi a permissão de Deus (pelo tamanho e pelos efeitos desse evento), pois Saul, apesar de seus desequilíbrios, era seu ungido! Davi teve duas oportunidades de matar Saul, mas não o fez; antes ele disse: “Longe de mim, tocar no ungido do Senhor”! Da mesma forma, Deus lhe poupou maiores dores quando lhe permitiu falar com Samuel. Cabe lembrar que o pacto de Deus com Abraão era eterno e repleto de bençãos para o povo escolhido, portanto qualquer intervenção que vá de encontro com seus propósitos, será destruída. A rejeição de Deus para com Saul se deu um pouco antes desse deslize, mas foi essa consulta espiritual que selou sua condenação perante Deus. Todavia vale destacar: Foi o ato de buscar uma sessão espirita, somado ao ato de negar pelo disfarce sua posição real (ênfase minha), o ato de se fazer consulente daquela que fora condenada por ele mesmo por suas práticas mediúnicas, e NÃO, pela aparição de Samuel, que Saul foi condenado. O que houve ali foi uma ação da soberania divina.

Não foi o propósito desse pequeno artigo dizer SE era ou SE não era Samuel presente ali, sim mostrar que ERA SIM Samuel e porque foi necessário que ele viesse. Não obrigatoriamente por ter sido “chamado” por uma necromante, mas porque Deus ama seu povo que estava sujeito aquele rei.

1 Crônicas 10:10, sobre morte de Saul, diz: “Puseram as armas de Saul no templo de seu deus (Dagom, dos filisteus) e a sua cabeça afixaram na casa de Dagom. (Deus não interveio nessa ação abominável (e vergonhosa para Israel) por parte dos filisteus). E nos versos 13-14 diz: Assim morreu Saul por causa da sua transgressão cometida contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a que ele não guardara; e também por ter interrogado e consultado uma necromante, e não ao Senhor, que por isso o matou e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé.

Tentar “defender Deus” é mais difícil do que aceitar os eventos que fogem à logica humana, mas que se explicam pelo fato de ser Deus soberano sobre tudo o que criou.

A frase grifada acima diz que Deus MATOU Saul [...]. Poderíamos “defender” Deus e dizer que quem matou Saul foram os filisteus; ou ainda poder-se-ia dizer que nem Deus, nem os filisteus matou Saul, pois este lançou-se sobre a própria espada; mas está escrito na bíblia que “Deus matou Saul”.

Em outro texto (que daria outro debate ainda mais complexo, mas que traz a lume a soberania de Deus) 1 Reis 22:1-40. Falando de outro rei.

1 Reis 22:20-22 Perguntou o Senhor: “Quem enganará a Acabe, para que suba, e caia (morra) em Ramote-Gileade? Um dizia desta maneira, e outro de outra. Então saiu um espírito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: “Eu o enganarei”. Perguntou-lhe o Senhor: “Com quê?”  Respondeu ele: “Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas”. Disse o Senhor: “Tu o enganaras, e ainda prevalecerás; sai e faze o assim. “Um espírito mentiroso com a concordância de Deus?” Lá está escrito que SIM.

Para fechar: Romanos 11:33-36

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a Ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele pois a gloria eternamente. Amém.