quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Necromancia - Possível no caso de Samuel?




Saul – Samuel – Necromancia

 

Introdução.

Defender Deus! Não cabe ao homem que Ele criou! Ele não precisa! Essa tentativa vai revelar duas coisas intimamente ligadas: A grandeza de Deus e a pequenez do homem. Os limites que foram colocados sobre o homem, não se aplicam a Deus pois Deus não tem limites. Deus não age contra sua própria natureza, por mais que (no entendimento de muitos) possa parecer que sim.        Há um texto (poderiam ser mostrados centenas) que mostra o Deus altíssimo numa dimensão que está além da nossa compreensão: (em Lucas 20:27-38) Jesus fala sobre a ressurreição dos mortos: Os saduceus se apresentaram diante dele com uma questão a ser esclarecida: Acerca da Lei do levirato: Uma mulher casou-se, ficou viúva, seu cunhado a tomou para si, para suscitar descendente ao falecido, esse morreu também sem deixar filho; sucessivamente morreram seis irmãos que foram primeiramente cunhados dessa mulher e tornaram-se seus maridos, um a cada vez, sucedendo o falecido, todos morreram sem suscitar descendente ao primeiro. Por fim, morreu também a mulher! Os saduceus perguntaram: Se os sete a possuíram, a qual deles ela pertencerá na ressurreição dos mortos? Essa questão tinha um tom irônico, pois eles não acreditavam na ressurreição. Em outras palavras eles diziam assim: “Se a ressurreição existe, Deus tem um problema para resolver”! Jesus, após responder acerca de uma suposta união conjugal no céu, completou depois dizendo: “E que os mortos hão de ressuscitar, Moises o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao Senhor, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus de mortos, e, sim, de vivos; porque para ele todos vivem”.

Todos estão vivos perante Deus!       Esse é um conceito que só se recebe por fé!

O texto de 1º Samuel 28 é, talvez, o que causa mais polêmica na bíblia! Saul estava prestes a travar uma batalha contra os filisteus. Saul foi tomado de medo e estremecimento ao ver o acampamento dos inimigos – ele precisava de uma palavra – Saul precisava falar com Samuel antes de dar um passo na direção do inimigo na batalha! Mas, Samuel havia “morrido”.

Qual pode ser a ação de um morto em meio aos vivos? Essa é a grande polêmica!

 Samuel “subiu por invocação de uma médium, a pedido de Saul?

Sobre Saul:

Saul era o homem segundo o coração do homem, um rei que foi reivindicado por homens que disseram: “Queremos ter um rei sobre nós, como o têm as nações”! Saul foi ungido rei num momento em que Israel queria ser “como as nações” – o povo pensava que estava sem direção e se esqueceu que Deus era seu rei! Saul era um homem que não conhecia a Deus; ele foi um rei a altura do coração do povo! Saul veio a ser uma pequena bomba relógio para Israel. Samuel ungiu Saul a mando de Deus que, por sua vez, atendeu ao pedido do povo. Saul não tinha uma relação com Deus.

Sobre Samuel:

Samuel foi um homem cuja mãe o pediu insistentemente a Deus, e que, para Deus foi devolvido por ela, livre e espontaneamente. Em outras palavras, Ana pediu um filho, não para ela, mas para pertencer ao próprio Deus. Ele foi um profeta gerado no ventre de uma mulher que conhecia Deus pela oração.

 A loucura de Saul poderia ser desastrosa para o reino que viria:

Quando se lê Mateus 1:17 entende-se que o plano de Deus está dividido em quatro eventos marcantes:

1- O chamado de Abrão; 2- O chamado de Davi; 3 - O cativeiro babilônico e 4 - a ressurreição de Jesus. São três grupos de quatorze gerações cada. Saul foi o primeiro rei de uma dinastia que estava iniciando, e, que, teria uma marca no plano de Deus.

O reino de Davi – estava prestes a iniciar – Israel passaria por uma transição:

Davi foi um homem segundo o coração de Deus, foi ungido rei pelo profeta Samuel, a mando de Deus, e pelo desejo de Deus, não pelo desejo do povo.

De um lado, o povo!      Acima do povo, Deus!     Entre Deus e o povo, Samuel, que, por sua vez estava entre dois homens: Saul e Davi!      Deus apontaria o destino de Israel.

O canal da intermediação:

Saul precisava falar com Samuel; logo ele pediu que seus servos lhe trouxessem uma mulher necromante – para que o “morto” Samuel lhe falasse através dos lábios dela!

Definições:

Médium: Segundo o espiritismo, o intermediário entre os vivos e a alma dos mortos. (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira; 1975)

Necromante: Pessoa que pratica a necromancia; pessoa que invoca os mortos. (Aurélio; 1975).”

Jesus disse: “Deus não é Deus dos mortos, porque para Ele, todos vivem"!

A médium de En-Dor:

Saul em seu zelo pela Lei de Deus, havia desterrado todos os médiuns e adivinhos. Mas, em seu momento de medo dos filisteus, consultou o Senhor, porém o Senhor não falou, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.

Saul pede aos seus servos que lhe apontem uma necromante.

O consulente:

Saul se disfarça, despe-se de suas roupas reais e coloca outras roupas (!) para se encontrar com a sua mediadora. Nesse ato de disfarce, Saul renuncia a Deus (ênfase minha), apesar de buscar a voz do profeta de Deus ou a voz de Deus pelo profeta, ele tira de si as roupas que o identificam como rei de Israel ungido de Deus.

 Então a mulher, que não o identificou como o rei de Israel, lhe perguntou:

Quem lhe farei subir?

Notável é que Saul estava em total confusão mental ao pensar que falaria com Deus por esse canal. O Próprio Saul havia desterrado os médiuns por saber que suas práticas eram condenadas por Deus. O médium não tem um espírito mensageiro subordinado a si; o médium é ferramenta do espírito que o usa. Ele lhe diz: Faça-me subir a Samuel.

Nota.: Se esses “guias” que usam seus instrumentos humanos, fossem subordinados aos tais, não haveria nenhum problema quando “um homem instrumento” decidisse “dispensar seus serviços”, mas não é o que acontece. O “homem instrumento” é subordinado ao “guia”. Se o homem instrumento decide abandonar essa “sociedade”, o tal é considerado como obstinado e desertor, então, instaura-se a guerra – requerendo uma intervenção mais forte. Paralelamente podemos ver a história dos hebreus no Egito e a guerra pela libertação do poder do faraó. E podemos ler Romanos 6:11-23 que diz que o pecador se torna dominado pelo pecado e não dominador sobre aquele.

A invocação:

A bíblia não revela que a mulher iniciou qualquer ritual de invocação. Ela pode ter feito uma invocação, ou não! (Parece haver uma cisão brusca entres os versos 11 e 12 - e essa "quebra" é justamente abertura para os argumentos pró e contra) Vendo a mulher a Samuel, leva um susto! Por que a necromante levou um susto? Porque seu “mestre” não se manifestou. Até esse momento, eram protagonistas Saul e a necromante; a partir de então, Deus intervém, mandando Samuel para repreender o rei de Israel.  Quando a mulher vê Samuel, ela leva um susto, então fica claro que algo estranho para ela aconteceu! Ela conhecia o espírito que lhe apareceria, ela era instrumento daquele espírito que a possuía para responder às indagações de seus consulentes. A mulher conhecia Saul (por isso ele disfarçou-se) mas não conhecia Samuel, ela apenas descreveu sua aparência: “Um homem envolto em um manto” e isto foi suficiente para Saul (que conhecia Samuel). Nota-se que Deus interveio no momento que a mulher pergunta: “Por que me enganaste? Pois tu mesmo és Saul! Nesse momento, Deus tirou a máscara de Saul diante da mulher, e bloqueou o ritual dela impedindo a manifestação de seu mestre espiritual – pois o reino de Israel seria impactado pela mensagem do demônio que falaria por intermédio dela. (Ela conhecia a forma como Deus trabalha com Israel - Deus fala atravez do profeta! O profeta fala ao rei, ao governador, ao sacerdote - quando o profeta fala ao cidadão comum, isso está em conecção com o rei e com o reino. E todos sabiam que Samuel era a voz de Deus para Sauel. Se Samuel apareceu é porque quem estava diante dela era o rei de Israel)  Daí vem outra pergunta: Samuel aparece por invocação a mulher? Ou por intervenção de Deus? Estaria Samuel sujeito ao chamado de uma necromante? Aliás ela propria é que era sujeita ao espirito enganador!

Em 1 Samuel 15:23 diz: "... ... visto que rejeitaste a Palavra do Senhor, ele também te rejeitou, para que não sejas rei".   [A partir daqui Saul já não é mais rei no plano de Deus, embora ainda esteja no trono; e Deus não fala mais com ele. Samuel sai de cena (da vida de Saul).  Porém há uma seria questão - Deus ainda tem uma relação com Israel. Se Deus não fala mais com Saul, satanás se dispõe (estaria disposto a) a falar... ...   Daí os argumentos tomam mais força].

 O impacto:

Saul queria ouvir o profeta. Saul estava em tamanha decadência espiritual, que aceitaria qualquer instrução que lhe chegasse aos ouvidos, e isto seria desastroso para si, para o reino e seu povo, o Israel de Deus. Daí a defesa de que Deus (e não Satanás) interveio enviando Samuel para repreendê-lo. Além do mais, Samuel, embora morto para Saul, não era um morto para Deus. Não apareceu ali um “morto” e sim um “vivo de Deus”. Estava para vir um reino muito importante (eterno) no plano de Deus, o reino de Davi. (“...tirou o reino da tua mão e o deu ao teu companheiro Davi” (1º Samuel 28:17b)). Jesus é o Leão de Judá (Judá é neto de Abraão), a raiz de Davi. (Apocalipse 5:5). Deus não permitiria que um demônio desse instruções (veja João 8:44 e 10:10) que impactasse no reino que viria.

O reino de Saul já estava acabado – nota que Samuel não lhe deu instruções da parte de Deus, Samuel somente o repreendeu duramente. Não havia mais lugar para Saul no plano de Deus.

Nota.: Não se sabe da manifestação visível de um ente falecido em seções espíritas. Sabe-se (pelos que acreditam e buscam “tais recursos”) que o ente falecido fala pela psicografia mediúnica, ou pela voz modificada do médium. Nesse caso, fica mais fácil explicar o susto da necromante. Penso que ela não teria uma visão (não esperava ver ninguém) e sim que ela apenas diria palavras em nome do suposto morto invocado.

A necromancia em si é uma obra abstrata, Deus condena aqueles que recorrem a ela, Saul foi condenado por isso. Mas a bíblia não diz que Samuel apareceu por invocação da mulher.  Pelo que se sabe da necromancia, o "morto" fala através da boca daquele que é o canal e não diretamente com o consulente como se vê nesse caso, pois Samuel falou diretamente com Saul, ignorando por completo a mulher, que se tornou uma expectadora assustada.

Deus dá liberdade ao homem para trilhar até os caminhos da morte e dos terríveis pecados, se este o queira, mas intervém quando a ação de um homem (diga-se aqui, um líder) pode causar impacto nos seus planos para a humanidade (temos muitos exemplos: Atalia, Jezabel, Acazias, Pasur, os falsos profetas  e o próprio Saul, entre outras dezenas de pessoas).

Sobre a identidade de Samuel e do espírito mentor:

A polemica em torno desse texto é:    Era Samuel ou um espírito se passando por Samuel?

A bíblia relata poucos diálogos diretos entre Satanás e alguém, mas é interessante destacar que em todos os casos, Satanás está revelado e manifesto como tal:       A serpente falou com Eva – Eva sabia que ele era a serpente.    Satanás falou com Deus em relação a Jó – Satanás não tentou (se fosse possível enganar Deus) se passar por outro. Satanás falou com Jesus no deserto – Satanás não tentou (se fosse possível enganar Jesus) se passar por outro. A personificação espiritual e a proposta em cada caso, apontam realmente para o ser espiritual que estava em cena; diga-se: Há sintonia entre a proposta e o personagem. Em alguns eventos de expulsão de demônios, esses se manifestaram em palavras: “Que temos nós (os demônios) contigo?” Não está claro na bíblia que houvesse um ser se passando por Samuel! Na verdade, é mais difícil provar que não era ele do que admitir que era ele. O texto em discussão cai na análise pessoal de cada leitor. Quando os demonios falam na biblia - a própria biblia diz quem eles são.

Nota.: O maior problema dos homens é a ignorância sobre Deus. Ou conhecem bem pouco sobre ele ou não conhece nada sobre ele. O conhecimento de Deus começa pela leitura incansável da Palavra escrita; juntando conceito a conceito; revelação a revelação, partes pequenas com partes grandes, e, assim, o todo se faz, gradativamente. Para entender uma parte ínfima de uma partícula também ínfima de Deus e preciso “tirá-lo” de dentro da caixinha da lógica e limites humanos.

Trata-se de defender a existência da prática necromante? Trata-se de defender a permissão para a prática? Trata-se de defender que Deus abriu uma exceção à prática? Deus não impediu Saul de ir e de falar com a mulher! Isto está na esfera da liberdade que Deus deu ao homem. Mas Deus não permitiu que um espírito estranho falasse ao rei de Israel (ele ainda era rei). Só Deus sabe quais desastres advinham de uma situação como essa, pois Saul estava disposto a ouvir e seguir instruções!

 Em defesa de Deus:

Todos que defendem que Saul estava diante de um espírito enganador, o fazem “em defesa de Deus”. Deus, que condena a prática da necromancia, não poderia se manifestar por invocação mediúnica! De fato, não poderia! E Deus não se manifestou pela invocação da médium! Então o que aconteceu ali foi uma intervenção!

Vamos atentar a um texto que relata a semelhante intervenção de Deus muitas décadas depois:

Muito similar:

2º Reis 1:1-8 (Esse texto mostra uma intervenção de Deus nos dias do profeta Elias). Numa rebelião de Moabe contra Israel, o rei Acazias caiu pelas grades de um quarto alto, em Samaria, e adoeceu. Ele enviou mensageiros para que perguntasse a um demônio, Baal Zebube, deus de Ecron, se ele seria sarado de seu mal. Mas o anjo do Senhor, revelou a Elias o propósito de Acazias e lhe mandou interceptar os mensageiros e levar um recado ao rei: “Porventura não há Deus em Israel, para que você vá consultar a Baal-Zebube? Por isso, saiba que você morrerá, não se levantará desta cama! Quando os mensageiros voltaram, o rei perguntou: “Por que voltastes?” Os mensageiros disseram que foram interceptados por um homem que lhes mandaram trazer tal advertência ao rei!

Nota-se a semelhança da ação de Deus quando o rei pergunta: Qual era a aparência do homem? Após darem a descrição de um homem, vestido de pelos e com os lombos cingidos com um cinto de couro, o rei diz: “É Elias, o tesbita!”   

Saul também perguntou para a mulher qual era a aparência do santo que subia. Quando ela o descreve, Saul entende que é Samuel. Curiosamente a mulher não descreve o rosto, ou os cabelos brancos, nem a estatura. A pequena descrição que ela deu, foi suficiente.

Baal-Zebube não recebeu os mensageiros, portanto não pode dar resposta nenhuma ao rei, tal qual o espírito que usava a médium de En-Dor não pôde falar com Saul. E, se Baal-Zebube era um “deus”, como seria sua resposta? Seria através de um agente espiritual, um profeta de Baal, não haveria visão aos olhos de ninguém, somente palavras. Pela segunda vez, Deus foi ao encontro de um rei desequilibrado.

Era Samuel?

Olhando somente para o texto. Verso 12: “Vendo a mulher a Samuel...”; Verso 15: “Samuel disse a Saul...”; Verso 16: “Então disse Samuel...”.

Uma linguagem de profeta de Deus que fala por Deus.

Voltando aos versos 16-20: A linguagem de “Samuel” é realmente uma linguagem de profeta. E por fim, Saul cai com rosto em terra; um homem que esteve em confronto com o verdadeiro Deus!

No verso 15, Samuel faz uma pergunta que é interessante: “Por que me inquietaste, fazendo-me subir?” (ARA, ARC e Thompson) “Por que você me perturba, trazendo-me aqui?” (Bíblia judaica); “Por que você me perturbou, fazendo-me subir?” (NVI). Naturalmente esta não seria a pergunta feita por um demônio, pois esse “guia espiritual” viria prontamente! Não seria uma importunação.

 Os interesses dos espiritualistas:

O contexto em geral não dá força aos interesses espiritualistas em relação a essa prática, apesar de que em nenhum momento se questione a existência da prática, não seria inteligente usar esse texto da bíblia em favor da necromancia. E os próprios méritos da personalidade da pessoa (Saul) que buscou esse recurso não fortalece a propaganda. O próprio Saul era tomado de um espírito atormentador que era expulso ao toque da harpa de Davi.

Nota.: Falamos da soberania de Deus acima de tudo! Quanto a esse espírito atormentador sobre Saul, a bíblia relata da seguinte forma: “No dia seguinte, um espírito maligno da parte de Deus, se apossou de Saul, que teve uma crise de raiva em casa...” (1 Samuel 18:10). Em 1 Samuel 19:9 menciona-se novamente: “... o espírito maligno da parte do Senhor tornou sobre Saul...” Em 1 Samuel 19:18-24 temos um relato não menos curioso, pois nesse, Saul é tomado pelo Espirito de Deus (o mesmo que estava sobre Samuel e os demais profetas em Ramá) e este, profetizou.  Sobretudo Deus é soberano!

Portanto, percebe-se que a condição desequilibrada do rei faz parecer natural que busque tais práticas mesmo. Não se trata de provar que a necromancia existe; não precisamos  provar que o Espirito de Deus NÃO se manifesta por meio dessas invocações; o interesse dos mediúnicos seria provar que Deus aprova a prática; mas o desenrolar e o desfecho desse evento só mostrou um homem sendo repreendido mais uma vez. Não precisamos negar que era Samuel para “defender Deus”! Podemos afirmar justamente que era Samuel porque Deus interveio, para evitar o desastre.

Olhando para o diálogo que foi desenvolvido, fica claro que os interesses dos espiritualistas não são satisfeitos pois as palavras de Samuel tinham foco na relação de Deus com seu povo, Israel e com o seu rei ungido, Saul, que estava em decadência espiritual e política (um demônio não falaria do modo como Samuel falou).     Os “defensores de Deus” poderiam dizer: “Se era Samuel, então a necromancia é eficaz e é permitida por Deus! É claro que ela é eficaz! É eficaz de acordo os interesses de quem recorre a ela. E, nem os necromantes, nem os consulentes estão preocupados em distinguir quem está falando com eles, se são anjos, homens ou demônios! Quando uma pessoa vai buscar esse “contato”, ela está longe de querer “testar” ou provar a identidade do morto consultado; ela “tem certeza” de estar “falando” com o morto querido...

Mas...

E quanto à permissão de Deus? De fato, Deus dá ao homem a liberdade de fazer o que quer, sem lhe negar a certeza de que tudo que o homem faz lhe é creditado na conta. Permitir não é aprovar! No mundo há milhões de locais para a prática necromante; e Deus não lhes lança uma bomba atômica!

O teste de um verdadeiro profeta.      Nenhuma frase do relato bíblico sugere que não seja Samuel. As palavras de 28:15 a 28:20 são de um diálogo no qual “Samuel” fala como “Samuel”, de modo que, uma falsa identidade ali, é apenas sugestiva.

As frases:      “Samuel perguntou a Saul: Por que você me perturbou, fazendo-me subir?”; “Disse Samuel: Por que você me chamou, já que o Senhor se afastou de você e se tornou seu inimigo?”; “O Senhor fez o que predisse por meu intermédio...” E o verso 20 diz que Saul caiu estendido ao chão, aterrorizado pelas palavras de Samuel”. Por último, o capítulo 31 monstra Saul caindo diante dos Filisteus, exatamente como “Samuel” lhe revelou que seria em 28:19. De acordo com o teste de um verdadeiro profeta de Deus, as palavras se cumpriram.

Conclusão.

Samuel esteve ali, falando com Saul. Essa foi a permissão de Deus (pelo tamanho e pelos efeitos desse evento), pois Saul, apesar de seus desequilíbrios, era seu ungido! Davi teve duas oportunidades de matar Saul, mas não o fez; antes ele disse: “Longe de mim, tocar no ungido do Senhor”! Da mesma forma, Deus lhe poupou maiores dores quando lhe permitiu falar com Samuel. Cabe lembrar que o pacto de Deus com Abraão era eterno e repleto de bençãos para o povo escolhido, portanto qualquer intervenção que vá de encontro com seus propósitos, será destruída. A rejeição de Deus para com Saul se deu um pouco antes desse deslize, mas foi essa consulta espiritual que selou sua condenação perante Deus. Todavia vale destacar: Foi o ato de buscar uma sessão espirita, somado ao ato de negar pelo disfarce sua posição real (ênfase minha), o ato de se fazer consulente daquela que fora condenada por ele mesmo por suas práticas mediúnicas, e NÃO, pela aparição de Samuel, que Saul foi condenado. O que houve ali foi uma ação da soberania divina.

Não foi o propósito desse pequeno artigo dizer SE era ou SE não era Samuel presente ali, sim mostrar que ERA SIM Samuel e porque foi necessário que ele viesse. Não obrigatoriamente por ter sido “chamado” por uma necromante, mas porque Deus ama seu povo que estava sujeito aquele rei.

1 Crônicas 10:10, sobre morte de Saul, diz: “Puseram as armas de Saul no templo de seu deus (Dagom, dos filisteus) e a sua cabeça afixaram na casa de Dagom. (Deus não interveio nessa ação abominável (e vergonhosa para Israel) por parte dos filisteus). E nos versos 13-14 diz: Assim morreu Saul por causa da sua transgressão cometida contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a que ele não guardara; e também por ter interrogado e consultado uma necromante, e não ao Senhor, que por isso o matou e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé.

Tentar “defender Deus” é mais difícil do que aceitar os eventos que fogem à logica humana, mas que se explicam pelo fato de ser Deus soberano sobre tudo o que criou.

A frase grifada acima diz que Deus MATOU Saul [...]. Poderíamos “defender” Deus e dizer que quem matou Saul foram os filisteus; ou ainda poder-se-ia dizer que nem Deus, nem os filisteus matou Saul, pois este lançou-se sobre a própria espada; mas está escrito na bíblia que “Deus matou Saul”.

Em outro texto (que daria outro debate ainda mais complexo, mas que traz a lume a soberania de Deus) 1 Reis 22:1-40. Falando de outro rei.

1 Reis 22:20-22 Perguntou o Senhor: “Quem enganará a Acabe, para que suba, e caia (morra) em Ramote-Gileade? Um dizia desta maneira, e outro de outra. Então saiu um espírito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: “Eu o enganarei”. Perguntou-lhe o Senhor: “Com quê?”  Respondeu ele: “Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas”. Disse o Senhor: “Tu o enganaras, e ainda prevalecerás; sai e faze o assim. “Um espírito mentiroso com a concordância de Deus?” Lá está escrito que SIM.

Para fechar: Romanos 11:33-36

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a Ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele pois a gloria eternamente. Amém.


quarta-feira, 13 de maio de 2020

O Crente Carnal

O CRENTE CARNAL

(Trecho do livro "O homem espiritual" de Watchaman Nee) 

O Senhor Jesus, ao ir à cruz, levou sobre si não só nossos pecados, mas também nossos seres. Paulo enunciou este fato ao proclamar «que nosso velho homem foi crucificado com ele». O verbo «crucificado», no original, está em tempo aoristo*, o qual denota que nosso velho homem foi uma vez e para sempre crucificado com Ele. Como a cruz de Cristo é um fato consumado, assim também nosso ser crucificado com Ele é também um fato consumado.

 * aoristo grego tempo verbal que exprime a ação pura e simples sem que dele, se cogite duração ou acabamento. O aoristo indicativo exprime um fato passado, do qual a duração breve ou longa não tem nenhum interesse para o sujeito falante. Em realidade, ao empregar o aoristo o sujeito falante objetiva apenas a ação em si mesma, sem lhe importar o grau de acabamento.                                                                                                   (Nota da tradutora)

 Apropriação:

Em Deus nossa carne já foi crucificada

Temos que nos apropriar deixando o Espírito Santo fazer isto ser uma experiencia visível e exterior.

Em Deus nós morremos com Cristo para com ele ser ressuscitados.

Temos que nos apropriar deixando o Espírito Santo fazer isto ser experiencia visível e exterior

Como Paulo, todos os crentes poderiam ser cheios com o Espírito Santo no momento de acreditar e no batismo (comparar Atos 9:17, 18). 

Por desgraça, muitos ainda estão controlados pela carne como se não tivessem morrido e ressuscitado. 

Estes não acreditaram de verdade no fato consumado da morte e a ressurreição de Cristo por eles, nem obraram sinceramente segundo a chamada do Espírito Santo a seguir o princípio da morte e da ressurreição. Segundo a obra consumada de Cristo já morreram e foram ressuscitados, e segundo sua responsabilidade como crentes deveriam morrer ao eu e viver para Deus, mas na prática não o fazem. Estes crentes podem ser considerados anormais. Sem dúvida, não devemos pensar que esta anormalidade é exclusiva de nosso tempo. Faz muitíssimo tempo o apóstolo Paulo se encontrou em uma situação semelhante entre crentes. Os cristãos de Corinto eram um exemplo. Ouçam o que lhes disse: “E eu, irmãos não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Leite vos dei por alimento, e não comida sólida, porque não a podíeis suportar; nem ainda agora podeis; porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens?” (1Corintios 3:1-3).

Aqui o apóstolo divide a todos os cristãos em duas classes: os espirituais e os carnais. Os cristãos espirituais não têm nada de extraordinário: são simplesmente normais. São os carnais os que saem do normal, os que são anormais. Os de Corinto eram deveras cristãos, mas eram carnais, não espirituais. Nesse capítulo Paulo afirma três vezes que eram homens carnais. Pela sabedoria recebida do Espírito Santo, o apóstolo compreendia que tinha que identificá-los antes de poder lhes oferecer a mensagem que necessitavam. A regeneração bíblica é um nascimento pelo qual a parte mais íntima do ser do homem, o espírito, profundamente oculto, é renovado e habitado pelo Espírito de Deus. Tem que passar um tempo até que o poder desta nova vida alcance o exterior: ou seja, até que se estenda do centro até a circunferência. Por isso não podemos esperar encontrá-lo forte nos jovens nem a experiência dos pais, manifestadas na vida de um bebê em Cristo. Embora um crente recentemente nascido possa comportar-se fielmente, amando ao Senhor e distinguindo-se com seu zelo, ainda necessita tempo para ter ocasião de saber mais da maldade do pecado e do eu e para saber mais da vontade de Deus e dos caminhos do Espírito. Por muito que possa amar ao Senhor ou amar à verdade, este novo crente ainda anda no mundo dos sentimentos e dos pensamentos e ainda não foi provado nem refinado com fogo. Um cristão recém-nascido não pode evitar ser carnal. Embora esteja cheio do Espírito Santo, mesmo assim não conhece a carne. Como pode alguém ser libertado das obras da carne se não reconhecer que essas obras nascem da carne? Por isso, considerando sua autêntica condição, os cristãos que são crianças recém-nascidas são em geral da carne.

A Bíblia não espera que os novos cristãos sejam espirituais instantaneamente, mas se depois de muitos anos continuam sendo crianças, então sua situação é verdadeiramente muito lamentável. Paulo mesmo diz aos coríntios que, no princípio, os tinha tratado como homens da carne porque eram meninos recém-nascidos em Cristo e que agora quando lhes escrevia deveriam ser já adultos. Em vez disso, tinham esbanjado suas vidas, continuavam sendo meninos e por isso ainda eram carnais. Para ser transformado de carnal a espiritual não é necessário tanto tempo como pensamos atualmente. Os crentes de Corinto procediam de um ambiente pagão categoricamente pecaminoso. Ao fim de uns poucos anos o apóstolo já via que tinham sido meninos por muito tempo. Tinham estado muito tempo na carne, porque então já tinham que ser espirituais. O propósito da redenção de Cristo é eliminar tudo o que obstaculize o controle do Espírito Santo sobre toda a pessoa para que desse modo possa ser espiritual. Esta redenção não pode falhar jamais porque o poder do Espírito Santo é superabundante. Da mesma maneira que um pecador carnal pode converter-se em um crente regenerado, um crente regenerado, mas carnal pode ser transformado em um homem espiritual. O que é lamentável é encontrar cristãos que não realizaram nenhum progresso em sua vida espiritual ao longo de vários anos e até décadas! E estes mesmos se assombram quando encontram alguém que, ao fim de uns anos, empreende uma vida do espírito.

 

Consideram isso como algo muito estranho e não veem que se trata simplesmente de algo normal, do normal crescimento desta vida. Quanto tempo faz que creem no Senhor? São espirituais? Não devemos nos tornar meninos velhos, entristecendo o Espírito Santo e prejudicando a nós mesmos. Todos os regenerados deveriam ambicionar um desenvolvimento espiritual, permitindo que o Espírito Santo governe sobre tudo, para que em um período de tempo relativamente curto possa nos levar ao que Deus dispôs para nós. Não devemos perder o tempo sem fazer progressos. Então, quais são as razões para não crescer? Possivelmente há duas. Por um lado, pode ser devido à negligência dos que, tendo a seu cargo as almas dos jovens crentes, possivelmente só lhes falam da graça de Deus e de sua posição em Cristo, mas se esquecem de animá-los a procurar experiências espirituais. (Melhor dizendo, possivelmente os que têm outros sob seu cuidado, também desconhecem a vida no Espírito. Como podem semelhantes pessoas guiar outros a uma vida mais abundante?) Por outro lado, pode ser porque aos próprios crentes não interessam os assuntos espirituais. Supõem que basta estar salvo, ou não têm apetite espiritual ou simplesmente não estão dispostos a pagar o preço para poder avançar. Como consequência deplorável disto, a igreja está repleta de meninos grandes. Quais são as características dos carnais? A mais destacada é que continuam sendo meninos muito tempo. A duração da infância não deveria passar de uns poucos anos. Quando uma pessoa nasce de novo ao acreditar que o Filho de Deus expiou seus pecados na cruz, simultaneamente deveria acreditar que foi crucificado com Cristo, para que assim o Espírito Santo possa libertá-lo do poder que a carne exerce em nós. Naturalmente, se desconhecer este fato, permanecerá na carne durante muitos anos. A segunda característica dos carnais é que são incapazes de assimilar o ensino espiritual. «Vos alimentei com leite, não com comida sólida; porque não estavam preparados.» Os coríntios se orgulhavam enormemente de seu conhecimento e de sua sabedoria. De todas as Igrejas desse período, a de Corinto era provavelmente a mais instruída. Paulo, em sua carta, dá graças a Deus por seu grande conhecimento (1:5). Se Paulo lhes pregava um sermão espiritual podiam compreender cada palavra. No entanto, toda sua compreensão estava na mente. Embora soubessem tudo, estes coríntios não tinham o poder de expressar na vida o que sabiam. Muito provavelmente hoje em dia há muitos crentes que sabem tanto e tão bem, que até podem pregar a outros, mas que ainda não são espirituais. O autêntico conhecimento espiritual não se encontra em pensamentos maravilhosos e misteriosos, mas sim na experiência espiritual real através da união da vida do crente com a verdade. Aqui a inteligência não serve, e o anseio pela verdade também é insuficiente. O indispensável é um caminho de total obediência ao Espírito Santo, que é o único que nos ensina de verdade. Todo o resto é a simples transmissão de conhecimento de uma mente a outra. Estes dados não tornam espiritual alguém que seja carnal. Pelo contrário, na realidade sua carnalidade transformará em carnal todo seu conhecimento «espiritual». O que necessita não é mais ensino espiritual, mas sim um coração obediente que esteja disposto a ceder sua vida ao Espírito Santo e que ande pelo caminho da cruz segundo o mandamento do Espírito. Um maior ensino espiritual só reforçará sua carnalidade e servirá para que se engane e se considere espiritual. Por acaso não diz a si mesmo: «De que maneira poderia saber tantas coisas espirituais se não fosse espiritual?» No entanto, o autêntico questionamento deveria ser: «Quanto sabe deveras da vida, e quanto do que sabe é um produto da mente?» Que Deus tenha misericórdia de nós. Paulo escreveu sobre mais outra evidência da carnalidade: que «havendo ciúmes e rivalidades entre vós, não são da carne e se comportam como os outros homens?» O pecado do ciúme e da rivalidade é uma prova eminente de carnalidade. Na igreja de Corinto abundavam as dissensões, coisa que fica confirmada com afirmações tais como «Eu sou de Paulo; ou Eu de Apolo; ou Eu sou de Cefas; ou Eu de Cristo.» (1Co. 1:12). Inclusive os que diziam «sou de Cristo» também eram carnais, porque o espírito da carne sempre e em todas as partes é ciumento e litigioso. Estes eram indefectivelmente carnais ao declarar-se cristãos com essa atitude de espírito. Por muito bonita que soe a palavra, qualquer jactância sectária não passa de balbucios de um bebê. As divisões na igreja são devidas exclusivamente à falta de amor e à carnalidade.

(Trecho do livro "O homem espiritual" de Watchaman Nee)

sexta-feira, 27 de março de 2020

Nem uma hora? - Do Livro de Larry Lea - "Nem uma hora?"



"Nem Uma Hora?" Prefacio do Livro do Dr. Larry Lea

Na fria e escura noite em que Cristo foi traído, seus discípulos não permaneceram em oração com ele nem uma hora. Estavam no jardim do Getsêmani, mas enquanto Jesus orava intensamente, com uma agonia de espírito tão profunda que seu suor pingava no chão, como gotas de sangue, os discípulos dormiam, inconscientes dos eventos transcendentais que estavam para ocorrer. Então o Senhor, com o espírito carregado de tristeza, acordou-os e indagou: “Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?” (Mateus 26.40.) E as condições da igreja hoje acham-se espelhadas nesse trágico episódio. Jesus, nosso Sumo Sacerdote e intercessor, está orando, mas seus discípulos dormem. E com isso Satanás está ganhando todas as batalhas por negligência nossa. Seria impossível calcular quantas derrotas, quantos fracassos espirituais, quantas perdas morais, quantas separações de casais e outras tragédias semelhantes poderiam ter sido evitadas se os crentes tivessem orado mais. É impossível estimar a quantidade de perdas que poderiam ser evitadas e de penalidades que poderiam ter sido suspensas, se o povo de Deus tivesse dedicado mais tempo ã oração. A culpa é minha, e sua também.

Mas não foi para ficar colocando complexos de culpa em ninguém que escrevi este livro. Escrevi-o porque sei o que é ter um chamado para interceder, e o que acontece quando deixamos que a fadiga, as interrupções e as pressões da vida sufoquem esse chamado. Durante seis anos, Deus instou comigo para que obedecesse à sua súplica de vigiar com ele uma hora por dia. Quando finalmente atendi, minha vida e meu ministério passaram por uma transformação radical.

Uma coisa posso garantir: quando oramos uma hora por dia, opera-se em nós um processo extraordinário. É claro que ele não ocorre da noite para o dia; acontece lentamente, de forma quase imperceptível. O Espírito de Deus enraíza no solo de nosso coração um forte desejo de orar. E esse anseio vai desalojando as ervas daninhas da apatia e da negligência. Depois o anseio amadurece e produz constância. Um belo dia descobrimos que orar não é mais um peso, uma obrigação. É que a disciplina da oração produziu o prazer de orar. Aí começamos a ansiar pelo momento da comunhão. E a oração vai operando uma obra sobrenatural em nós, permeando cada aspecto de nossa vida, dando-lhe uma nova configuração. Sentimos o coração impregnado da presença de Deus e das suas promessas. Descobrimos as prioridades dele para nossa vida, aprendemos a observá-las e a alinhar com elas nossas petições; aprendemos a nos apropriar das provisões de Deus para nossas necessidades. Começamos a gozar maior alegria e senso de realização em nosso relacionamento com outros, e isso coloca nossa vida numa dimensão inteiramente nova. E à medida que passamos a andar no Espírito, em vez de seguir as inclinações da carne, aprendemos a viver pelo poder de Deus e a ocupar a posição de vencedores, conquistada por Cristo para nós. Por que sei disso? Sei, porque foi o que me aconteceu quando atendi ao chamado de Deus para orar. Sei, porque foi isso que aconteceu aos discípulos após a ascensão de Cristo.

Vamos pensar um pouco aqui. O que transformou aqueles homens hesitantes, desanimados e sonolentos descritos nos capítulos finais dos evangelhos, no batalhão decidido, unificado e arrojado, retratado no 8 livro de Atos? O que fez deles esse exército espiritual forte, que pegava as adversidades no ar e as transformava em oportunidades; um exército que sabia tomar decisões firmes, e não inseguro, confuso; um exército que, em apenas uma geração, virou o mundo de cabeça para baixo, em nome de Jesus Cristo? A oração. A oração que fez descer dos céus o poder de Deus, e abriu as comportas de seus infinitos depósitos espirituais. E o que poderá mobilizar os desanimados, hesitantes, sonolentos discípulos de hoje, transformando-os num poderoso exército, que avance cantando hinos de libertação, proclamando a restauração do homem? A oração; a oração que arrancará das firmes garras de Satanás as vitórias que Cristo já conquistou para nós; a oração que atacará os portões do inferno. Quem ainda não sabe orar com persistência durante uma hora, diariamente, mas gostaria de aprender, ponha em prática os segredos espirituais aqui expostos, os quais me foram revelados pelo Espírito de Deus nos momentos quando estava de joelhos. E à medida em que você for aprendendo a orar como Jesus ensinou, sua vida espiritual não será mais aquela constante frustração, caracterizada por ensaios e erros; ao contrário, será fácil e natural vigiar com o Senhor uma hora. Vamos inclinar a cabeça agora e fazer a seguinte oração: ‘‘Jesus, implanta em meu coração o desejo de orar. Capacita-me a manter um momento de oração diário. Que a oração deixe de ser um dever para mim e passe a ser um prazer. Faz de mim um poderoso guerreiro de teu exército.” Fez essa oração? Orou com sinceridade? Então, soldado, acho melhor tirar sua farda do baú, dar polimento nos botões de cobre, e lustrar as botas, pois o exército de Deus está-se preparando para começar a avançar.


Fonte
Livro: Nem Uma Hora?
Dr Larry Lea - Prefácio.
No Brasil: Editora Betânia

domingo, 2 de fevereiro de 2020

O Poder Através da Oração - E.M.Bounds

O CANAL DIVINO DE PODER


 
Estude a santidade universal da vida. Disso depende a tua utilidade plena, pois teus sermões duram apenas uma ou duas horas; mas tua vida prega durante toda a semana. Se Satanás puder transformar um ministro cobiçoso em um amante de louvor, um amante de prazer, uma de iguarias, então, arruinará o seu ministério. Entrega-te à oração e obtenha de Deus os teus temas, os teus pensamentos e as tuas palavras. Lutero empregava as suas melhores três horas em oração. - Robert Murray McCheyne

 

 Estamos constantemente empenhados, senão obcecados, em arquitetar novos métodos, novos planos e novas organizações para fazer a Igreja progredir e assegurar a divulgação e a eficiência do Evangelho.

Essa direção hodierna tem a tendência de perder a visão do homem ou afogar o homem no plano ou na organização.

O plano de Deus é usar o homem e usá-lo muito mais do que qualquer outra coisa.

Homens são o método de Deus. A Igreja está procurando métodos melhores; Deus está buscando homens melhores. ― Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João (João 1:6).

A dispensação que anunciou e preparou o caminho de Cristo, estava confiada àquele homem, João: ― Um menino nos nasceu, um filho se nos deu (Isaías 9:6). A salvação do mundo se originou naquele Filho ainda menino. Paulo traz à luz o segredo do êxito dos homens que arraigaram o Evangelho no mundo quando pôs em relevo o caráter pessoal desses homens.

A glória e a eficiência do Evangelho dependem dos homens que o proclamam. Quando Deus declara que ― quanto ao Senhor, Seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com Ele (II Crônicas 16:9), declara a necessidade de homens e o fato de Deus depender de homens que sejam canais por meio dos quais exerça Seu poder sobre o mundo. Essa verdade vital e urgente é o que esta era das máquinas tende a esquecer. Esquecê-la é funesto para a obra de Deus como seria desastroso se o sol desaparecesse da abóboda celestial. Seguir-se-iam trevas, confusão e morte.

O que hoje a Igreja necessita não é de mais e melhor maquinismo, de novas organizações ou mais e novos métodos, mas homens a quem o Espírito Santo possa usar — homens de oração, homens poderosos na oração. O Espírito Santo não se derrama através dos métodos, mas por meio dos homens. Não vem sobre maquinaria, mas sobre homens. Não unge planos, mas homens — homens de oração.

Um eminente historiador disse que os acidentes do caráter pessoal têm mais a ver com as revoluções das nações do que os historiadores, filósofos ou políticos democráticos o reconhecem. Essa verdade tem aplicação plena ao Evangelho de Cristo, ao caráter e à conduta dos seguidores de Cristo — Cristianiza o mundo e transforma nações e indivíduos. Em relação aos pregadores do Evangelho, é eminentemente verdadeiro. Tanto o caráter como o sucesso do Evangelho estão confiados ao pregador. Ele faz ou desfaz a mensagem de Deus ao homem.

O pregador é o canal de ouro pelo qual o óleo divino flui. O canal deve ser não só dourado, mas também aberto e sem rachaduras, para que o óleo flua bem, sem obstáculo e sem desperdício. O homem faz o pregador. Deus deve fazer o homem. O mensageiro é, se possível, mais do que a mensagem. O pregador é mais que o sermão. O pregador faz o sermão. Como o leite nutridor do seio materno é a própria vida materna, de igual modo tudo o que o pregador diz está matizado e impregnado daquilo que o pregador é.

O tesouro está nos vasos de barro e o sabor do vaso nele se impregna e pode descorá-lo. O homem, o homem todo, jaz atrás do sermão. A pregação não é tarefa de uma hora. É a manifestação de uma vida. É preciso vinte anos para fazer um sermão, porque são necessários vinte anos para formar o homem. O verdadeiro sermão é uma obra de vida. O sermão evoluiu porque o homem se desenvolveu. O sermão é poderoso, porque o homem tem poder. O sermão é santo, porque o homem é santo. O sermão está cheio de unção divina, porque o homem está cheio de unção divina. Paulo denominou-se ― Meu Evangelho; não que o tenha degradado por suas excentricidades pessoais ou desviado por apropriação egoísta, mas o Evangelho foi colocado no coração e no sangue do homem Paulo, como uma responsabilidade pessoal, para ser executada pelas peculiaridades paulinas, a fim de trazê-lo em chamas e impulsioná-lo pela ígnea energia da sua alma ardente. Os sermões de Paulo — que eram eles? Onde estão eles? Esboços, fragmentos esparsos, flutuando no mar da inspiração! Mas, o homem Paulo, maior que os seus sermões, vive para sempre, em plena forma, figura e estatura com sua mão modeladora sobre a Igreja. A pregação é apenas uma voz. A voz silencia, o tema é esquecido, o sermão apaga-se da memória; no entanto, o pregador vive. O sermão não pode elevar-se em suas forças vivificadoras acima do homem. Homens mortos tiram de si sermões mortos e sermões mortos matam. Tudo depende do caráter espiritual do pregador. Sob a dispensação judaica, o sumo sacerdote trazia um frontal de ouro com a inscrição ―Santidade ao Senhor em letras engastadas de joias. De igual modo, todo o pregador no ministério de Cristo deve ser moldado e dominado por essa mesma divisa sagrada. É uma vergonha berrante para o ministério cristão estar abaixo do sacerdócio judaico na santidade de caráter e na santidade de objetivo. Jonathan Edwards disse: ―Eu continuei com minha busca intensa de mais santidade e conformidade com Cristo. O céu que eu desejava era o céu de santidade! O Evangelho de Cristo não é movido por ondas comuns. Não tem o poder de auto propagação. Move-se como se movem os homens que tomaram o encargo disso. O pregador deve personificar o Evangelho. As características divinas e mais salientes do Evangelho devem estar nele incorporadas.

O poder do amor, que constrange, tem que estar no pregador como uma força relevante, excêntrica, que o domina todo e o faz esquecer-se de si mesmo. A energia da abnegação própria tem que constituir seu ser, coração, sangue e ossos. Ele deve seguir avante entre os homens como homem, revestido de humildade, cheio de brandura, prudente como a serpente, simples como a pomba; reunindo em si a sujeição de um escravo e o espírito de um rei, um rei de figura nobre, real e independente, e a simplicidade e doçura de uma criança. O pregador tem de lançar-se a si mesmo, com todo o abandono de uma fé perfeita e esvaziada de si e dum zelo que o consome, à sua obra pela salvação dos homens. Sinceros, heroicos, compassivos e intimoratos mártires têm que ser os homens que conquistam a geração e a moldam para Deus. Se são escravos do tempo, oportunistas, bajuladores de homens, se têm respeito humano, se sua fé em Deus e Sua Palavra tem pouca profundidade, se sua abnegação pessoal é quebrada por qualquer fase do ―eu ou do mundo, não podem tomar conta nem da Igreja nem do mundo para Deus.

A pregação mais penetrante e forte do pregador deveria ser feita a si mesmo. Sua obra mais difícil, delicada, laboriosa e radical deve ser consigo. A instrução dos doze foi a grande, difícil e paciente obra de Cristo. Os pregadores não são produtores de sermões, mas formadores de homens e de santos e só quem fez de si mesmo um homem e um santo está bem instruído para essa obra.

Não é de grandes talentos, de grandes estudos ou de grandes pregadores que Deus necessita, mas de homens grandes em santidade, grandes em fé, grandes em amor, grandes em fidelidade, grandes para Deus — homens que pregam sempre por meio de sermões santos no púlpito e por meio de vidas santas fora do púlpito. Esses podem moldar uma geração para Deus. Os primeiros cristãos foram formados segundo esse princípio. Eram homens de sólida formação, pregadores conforme o tipo celestial — heroicos, rijos, militantes e santos. Para eles, a pregação significa uma obra de auto abnegação, de autocrucificação, séria, árdua, e de mártir. Aplicaram-se a ela de tal modo que influíram na sua geração e formavam no seu seio uma geração que haveria de nascer para Deus.

O pregador deve ser homem de oração. A oração é a mais poderosa arma do pregador. É em si mesmo uma força onipotente e dá vida e força a tudo. O sermão real é feito no recinto secreto. O homem — o homem de Deus — é formado no recinto secreto. Sua vida e suas mais profundas convicções nascem da sua comunhão secreta com Deus. Suas mensagens mais ricas e doces são alcançadas quando está a sós com Deus. A oração faz o homem; a oração faz o pregador; a oração faz o pastor. O púlpito de hoje é pobre em oração. O orgulho da erudição opõe-se à humilde dependência da oração. A oração do púlpito é por demais oficial — um desempenho na rotina do culto.

Para o púlpito moderno, a oração não é mais a força poderosa como o era na vida e no ministério de Paulo. Todo pregador que não faz da oração um poderoso fator em sua própria vida e ministério é fraco atuante no trabalho de Deus e impotente para fazer prosperar a Sua causa neste mundo.



Fonte: Este é o capitulo 1 do Livro: Poder através da Oração Autor: Edward McKendree Bounds Tradução: E.B.R. Editação: Projecto Wesley Capa e Diagramação: Projecto Wesley Título original: Power Through Prayer, E. M. Bounds (1835-1913). 



sábado, 25 de janeiro de 2020

Iniquidade - Pecado - Transgressão



Texto introdutório     Mateus 24:1-13

Em Mateus 24:12 está escrito:

E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.       Não há dúvida; já estamos vivendo plenamente esta fase do cristianismo.       Muitos consideram a iniquidade neste texto como sendo uma referência aos pecados do mundo.    Nesse caso, analisemos desde o versículo 1:  

Foi o tipo de conversa que se iniciou casualmente e que tomou grandes proporções pelo teor das revelações. Jesus saía do templo quando foi abordado pelos seus discípulos: “...aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo”. Jesus diz: “Estão vendo estas pedras? Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada”.

Então os discípulos fazem outra pergunta em particular: "Dize-nos quando sucederão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século”.

Nota.:  A partir daí Jesus está conversando com eles sobre esses três eventos: A destruição do tempo; Sua vinda e a Consumação do século (o fim da era cristã – o fim da geração presente – fim da “era de peixes” (!)).    Essa é uma conversa particular: De Jesus com seus discípulos.  Não havia simples curiosos ali; todos eram seguidores de Jesus.

Vede que ninguém vos engane. Porque muitos virão eu meu nome dizendo: “Eu sou o Cristo”, e enganarão a muitos. Jesus está se referindo aos falsos cristos que virão para aqueles que estão esperando pelo Cristo! Portanto quem poderia ser enganado? Obviamente, aquele que espera pelo Cristo verdadeiro.

Verso 9: “Então sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. (Isto já estamos vivendo em “solido e colorido” – os preceitos bíblicos estão sendo a causa de uma guerra  espiritual visível a olho nu – basta ver a mídia secular –  a bíblia (e a igreja cristã) sendo encurralada e forçada a aceitar (calada) a tudo e a todos “em nome do amor”.

Verso 10: Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. Nota que Jesus está falando de coisas que acontecerão no meio do povo dele. Como assim? Em relação ao mundo, essas revelações caiem na esfera do óbvio: “engano; traição; ódio; falsidade ideológica” – são características obvias deste mundo – se não, o mundo não seria o mundo! Mas não são comuns ao povo de Deus! Porém, acontecerá...

Pulando o verso 12! Diz o verso 13: Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. Essas palavras foram ditas para os seguidores: “perseverança em meio a todas essas pressões e, por fim, a salvação”. O termo “perseverança” e seu significado (nesse texto) não harmoniza com os ímpios.

Agora vamos ao verso 12: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”. Jesus estava falando de “amor” e “esfriamento” em relação ao mundo?? Não! Jesus refere-se ao esfriamento espiritual – que nada tem a ver com o mundo e sim com a vida espiritual dos que confessam seu nome. Jesus não está se referindo ao amor deste mundo e sim ao amor que une pessoas sob a mesma fé e por causa de um só ato que foi o amor dele por nós ao morrer por nós. O mundo nada tem com esse amor citado no verso 12.

Portanto: O Senhor está falando do aumento da iniquidade no meio do povo dele, levando quase todos ao esfriamento e à apostasia.     A apostasia é um dos sinais que antecedem a vinda do homem do pecado, o iniquo. Aqui, o termo Iniquidade, definitivamente está se referindo à situação da igreja cristã.

Não sei quantos se atentam ao detalhe de que a palavra iniquidade está mais ligada aos piedosos do que aos ímpios e declaradamente perdidos desta terra, embora tenha na bíblia, textos referindo-se aos dois grupos.

A palavra pecado está relacionado aos ímpios que pecam desde seu nascimento e, também aos salvos que, mesmo sendo salvos, ainda estão sujeitos a pecar. E pecam.

Vamos analisar as três palavras e interpretá-las:

Transgressão – Pecado - Iniquidade

 Transgressão:   Antes dela vamos a uma palavra que parece ser da mesma família:   A agressão.

Numa agressão você colide; confronta; bate de frente; fere e é ferido; causa dano e sofre dano; estraga e sofre estrago! Assim, sem buscar no dicionário, dizemos que agredir é colidir, confrontar, bater de frente, ferir, causar dano, causar estrago.

Como comparação, dizemos que aquele que transgrede é:

Aquele que não colide! Mas, passa por cima de algo; ou passa de largo por algo; ignora um limite ou uma regra; faz o que não deve; ou não faz o que deve.

A transgressão está ligada a uma regra, uma lei, particular que pode ser universal ou regional; e está ligada ao outro – a quem, e com quem você se resolve mediante pagamento de multa.

O que é lei num local, pode não ser em outro; assim alguém pode ser transgressor dentro de uma fronteira e não ser em outra.

Biblicamente:  Na bíblia a palavra comumente está casada com a lei: “transgressor da lei” (referindo-se aos hebreus que estavam sob a Lei de Moises). Ou sozinha: “transgressor” (referindo-se a qualquer pessoa).

A transgressão é inerente ao ímpio e ao justo.  A transgressão é uma prática contra a lei; a regra; a norma.

A transgressão não é a expressão direta de um pecado específico, mas reflete a postura obstinada de alguém.  (obstinação = agir pelo próprio querer, seguir sua própria vontade) e a propensão à desobediência.

O transgressor é aquele que decidiu não cumprir ordens e/ou não seguir regras – Ele passa por cima ou passa de largo – finge que não vê – ignora – finge que não sabe.

Na bíblia, a maioria expressiva das menções da palavra “transgressão” está ligada a Lei de Moises, e não tem nenhuma ligação com o povo gentio (as nações). A palavra “transgressor” sozinha, se refere a qualquer pessoa que transgrede uma regra.

 Pecado:   O pecado é inerente ao ímpio e ao justo.

Na vida do ímpio, o pecado é a expressão máxima de toda sua natureza, o pecado é uma prática constante desde seu nascimento.

Na vida do justo, o pecado é evento fortuito (sem detalhar, dizemos que o pecado na vida do justo não é uma prática, nem uma constante). Na conversão (linha divisória) de um homem, todos os pecados [ * ] são perdoados [ * ]desde o nascimento até o momento de seu batismo [ * ]. O que chamamos de evento do pecado aplica-se ao pecado cometido depois da conversão.

Vamos dizer que o pecado é todo ato ou comportamento ou omissão que vai contra a santidade e os demais atributos de Deus. Quando o homem age em contrário a tudo que Deus lhe determinou como padrão daquilo que o faz Sua imagem e semelhança. Tomamos os dez mandamentos (sendo o sábado um caso particular aos judeus) como matriz para entender a natureza de todos os pecados.

O ímpio é chamado de pecador porque peca desde o seu nascimento.

O homem piedoso também peca, mas o adjetivo “pecador” não mais se aplica ele, pois o pecado na vida dele é evento e não prática.

 Iniquidade         A iniquidade é a falta de equidade

Equidade = igualdade – dentro do contexto jurídico é tratar e julgar segundo uma lei, seguindo um padrão para todos os indivíduos - a lei é uma linha reta a ser seguida.

Padrão – a melhor definição de padrão aqui é dizer que “tudo é igualzinho” – algo que sempre segue um mesmo molde.

Biblicamente:    O iniquo “sai do padrão” ou “tira Deus do padrão” ou “ignora o padrão” ou “abandona o padrão”. (do julgamento de Deus e das consequências do pecado) É o que foge à regra do juiz, esquecendo-se ou ignorando o padrão de Deus – muito embora, não negue a fé e continue (até mesmo) em cargos importantes dentro da igreja.

A justiça de Deus é um padrão – A justiça de Deus é um padrão de equidade (redundância sim). Ou seja: Deus pune porque tem que punir. Ou Deus justifica (absolve) quando o “réu” se põe em posição de ser perdoado. Deus não foge ao padrão quando deve punir e não foge ao padrão quando deve justificar.

Em Lucas temos um texto que fala de um juiz iniquo.

Por que esse adjetivo foi dado a ele? Porque ele agia com deslealdade à lei – ele não usava de equidade e padrão, não julgava segundo a reta justiça.   Quando a viúva pedia que ele jugasse sua causa, ela tinha de fato uma causa, mas “seguindo seus próprios padrões”, ele se recusava a fazer justiça na causa dela – até que foi vencido pela importunação (e não pelo dever e imparcialidade).

Agora vamos tornar claro o que é iniquidade.

Primeiramente vamos pontuar que a iniquidade está mais ligada ao piedoso do que ao ímpio. Na bíblia vemos a palavra iniquidade mais ligada ao povo de Deus do que às nações. Em alguns versículos vemos as três palavras mencionadas juntamente: “iniquidade, justiça, equidade”. O conceito de iniquidade quando aplicada ao ímpio, está no mesmo conceito da palavra “pecado”. Por quê? Porque iniquidade é pecado.  Quando se refere ao ímpio, a palavra mais usual é sempre: “pecado”; mas, em relação ao justo há uma diferença – algo específico para o termo “iniquidade”.

Falando do COMUM e do NORMAL.

Podemos afirmar que os pecados na área sexual, imoralidades, promiscuidades se tornaram comuns, mas eles não são considerados como práticas normais, nem para o mundo, nem (obviamente) para a igreja.

Adultério atualmente, é comum; mas (pelo menos por enquanto) nem no mundo secular, a traição é vista como normal.

Idolatria é marca registrada do Brasil, muito comum. Mas idolatria não é atividade normal para os cristãos, por ser condenada por Deus.

Poderia enumerar dezenas de pecados que se tornaram comuns no mundo, mas ainda assim não considerados como normais.    

Para reflexão da igreja: (atitudes que não podem ser consideradas nem comuns e nem normais)

Subornar instrutor de autoescola para tirar CNH é comum e normal para o mundo...

Fazer criatividades na declaração de imposto de renda é comum e normal para o mundo

Burlar meios para ter direito a benefícios do Governo é comum e normal para o mundo

Ter um comercio e fazer pedaladas fiscais é comum e normal para o mundo

Sexo livre é comum e normal para o mundo

O aborto como livre escolha para a mulher é assunto em evidencia no mundo!

Usar o nome de Deus em memes, piadinhas e até deboches é comum e normal para o mundo

Vestir-se sensualmente e indecentemente é comum e normal para o mundo

Alguns (ou muitos) atos que não eram para ser comuns, estão se tornando comuns dentro da igreja e estão se tornando também normais

Isto é iniquidade

O pecador é sempre pecador – ainda que seja também chamado de iniquo – ele é ímpio por natureza – sua linha divisória do pecado é sua morte – ele nasce no pecado e continua pecando até que morra - e a morte sela seu destino, indo este para diante de Deus em juízo com todos seus pecados acumulados.

Todo pecador por natureza é um ímpio.

Quando o piedoso (o justo; o crente; o salvo) comete um pecado, esse pecado é eventual e não lhe taxa como pecador – pois ele tem linha divisória (a conversão zerou o seu passado - diferente do ímpio que não tem seu passado zerado quando morre).  Mas, quando o piedoso (justo; crente; salvo) faz do pecado eventual uma prática na sua vida, isso é iniquidade. A partir da conversão –  estando na prática de um pecado (ou mais) ele nem é chamado de pecador e nem de ímpio – ele é iniquo.

Iniquidade está ligada a uma ação: Alguns versículos expressam bem isso ao trazer o verbo praticar junto com a palavra iniquidade (“os que praticam a iniquidade”).

Iniquidade é a prática do pecado – Iniquidade é continuidade de um pecado – Iniquidade é tornar um pecado um ato constante – sem tratá-lo – deixá-lo “correr solto”. E por que a iniquidade é mais inerente ao povo de Deus do que ao mundo? Porque o iniquo ("crente pecador") sabe que está pecando e sente pesar por isso. O ímpio não tem consciência do pecado ou simplesmente ignora qualquer consequência do pecado.

(Não estamos dizendo que o ímpio não conhece as leis, as regras, a Palavra de Deus, a bíblia – estamos dizendo que tudo isso é coisa sem nenhum  valor para ele – ele despreza a Deus e a bíblia, portanto peca sem temor - e nem considera que tenha feito nada errado).

(Mas o iniquo é aquele que conhece as leis, as regras, a Palavra de Deus, a bíblia – mas leva uma vida de pecado, apesar de ter temor de Deus).

Explicando melhor: Caracteriza-se como iniquidade o pecado quando se torna normal no ambiente onde não se espera “vê-lo”.

Exemplificando no ímpio é no crente.

Matriz e derivado

Em relação ao ímpio, todos os seus pecados são matrizes – e sempre que ele cometer esses pecados, sempre o caracterizamos como pecador (e não como iniquo), pois não há linha divisória para o pecado do ímpio. O ímpio nasce no pecado e continua pecando até que morra ou se converta.

Um ímpio é um pecador não nascido de novo, em sua natureza original (pecado) e que está “feliz” com seu estado (matriz) de pecador.

O iniquo têm consciência de estar cometendo “erros”. Ele simplesmente deixa “a vida levar”, como se o comum fosse normal.    Enfim:

A iniquidade é inerente ao crente e à igreja (um crente pode ser iniquo – uma igreja pode ser iniqua).

O iniquo:   Exemplos de crentes iníquos.

1)      Um cristão sincero que vê pornografia se masturbar (se for casado, nesse momento comete o pecado do adultério) – em resumo, ele profana o próprio corpo – esse é seu pecado matriz (e é evento) .

Quando caracterizamos a iniquidade? Quando esse irmão passa a conviver com esse pecado ao ponto de se tornar normal para ele, ou seja, ele ignora que há um padrão de justiça de Deus (condenação) para esse tipo de pecado, então ele, continua na pratica da profanação de seu corpo e ainda mantem a confissão da fé cristã. Nota importante: Ele tem plena consciência de estar pecando e sabe que há um juízo de Deus para seu ato, mas ele simplesmente não trata o problema. Davi clamou no Salmo 51: “Perdoa a iniquidade do meu pecado”. Parece redundante, né? Mas não é! Davi está dizendo, perdoa me pelo meu pecado repetitivo, pela prática repetitiva desse pecado, sou reincidente e reincidente (a diferença é que aqui, Davi está pondo um “basta” nessa situação). O pecado estava tão comum a ponto de “quase” tornar coisa normal.

Outro exemplo:

2)      Um (a) irmão (a) tem uma relação extraconjugal. Esse irmão tem cargo na igreja (ou não). O pecado do adultério passa a ser parte da vida dele, ele não trata o problema, apesar de ter consciência de estar pecando. Seu pecado matriz é adultério. Sua iniquidade é adultério mantido e não tratado – é a convivência com Deus e com o pecado, como se fosse coisa normal.

3)      Um irmão é procurado pela polícia, por ter roubado um carro no passado – esse é o carro que ele usa para vir a igreja... Ele tem consciência que precisa se ajustar com a justiça terrena – mas nada faz – leva vida “normal” com a igreja e consigo mesmo. ( [ * ] nesse caso, quando pusemos os colchetes lá no alto do texto  fica claro que alguns pecados são zerados no sentido de que esse pecador foi aceito na familia de Deus, mas algumas pendencias terrenas devem ser baixadas).

4)      Um crente pode estar numa relação conjugal não legalizada (inclusive com filhos – que a bíblia considera como bastardos) e ainda pode ter mais filhos de outras relações de “sexo livre” anteriores; e achar que não precisa fazer nada a respeito, seguindo uma vida “cristã. Seu pecado matriz é fornicação. Sua iniquidade é fornicação continuada ( [ * ] nesse caso, quando pusemos os colchetes aí no alto do texto  fica claro que alguns pecados são zerados no sentido de que esse pecador foi aceito na familia de Deus, mas algumas pendencias terrenas devem ser baixadas).

5)      Um crente pode alimentar um ou mais vícios ao mesmo tempo que confessa a fé cristã. Seu pecado  matriz é a profanação e destruição do corpo (o templo); e sua iniquidade é a profanação continuada do templo (o corpo).

O que é uma igreja iniqua?

No mesmo entendimento da iniquidade do crente como um pecado mantido, não tratado e que passou a ser normal para ele (ele pensa que não precisa fazer nada, pois, em seu entendimento, ele está “bem” com Deus) , assim, uma igreja é iniqua quando é consciente desses pecados no meio do seu rebanho e igualmente, não faz nada – convive como se fosse coisa normal (Se Deus não mandou fogo consumidor sobre ela, faz parecer que está tudo bem, tudo normal – ela também se sente “bem com Deus”)

Exemplos:

1) Uma liderança denominacional pode ter ciência de ter vários pastores em adultério e não trata o problema. Ela é iniqua – cumplice dos pastores adúlteros.

2) Outra liderança denominacional pode ter ciência de que o tesoureiro rouba o Caixa da igreja, mas não toma nenhuma atitude por ser ele um dos maiores dizimistas. Ela é iniqua – cumplice do desvio de recursos da igreja.

3) Outra liderança denominacional pode ter ciência de que metade dos jovens da igreja que namoram, tem vida sexual ativa; algumas jovens engravidaram; mas, alguns são filhos de membros notáveis na igreja; enfim, ela não faz nada! Ela é uma igreja cumplice da fornicação.

4)  Outra liderança pode ter ciência de que alguns membros do coral se odeiam e não se falam (esses que “adoram a Deus” odiando os irmãos) – mas essa igreja (iniqua) leva como coisa corriqueira (ela diz que é normal que as pessoas se desentendam).

 

Tudo que era comum, passa a ser normal. A igreja iniqua passa a ser cumplice de seus membros pecadores.

Sem falar dos vícios de bebidas, tabaco, casos jurídicos não resolvidos; e outras tantas coisas... Pecados não tratados são iniquidades. A igreja iniqua banaliza e sucateia a justiça de Deus – trazendo Deus ao nível dos homens para não precisar passar seus homens pelo fogo purificador.

Para fechar o entendimento da iniquidade.

Iniquidade é pecado continuado quando se refere ás falhas do justo.

Tanto o homem iniquo como a igreja iniqua; fazem vista grossa ao padrão de justiça de Deus – apesar de ter consciência dos pecados cometidos, ignoram o fato de que Deus tem uma régua de fio reto, uma balança justa, um padrão de justiça imparcial e um caráter que não muda.

O fato de Deus não fazer a terra se abrir para engolir os pecadores, faz com que esses se sintam confortáveis.

Estamos congregando num tipo de igreja que se tornou comum – o grande problema é considerar que ela é normal.

 

Salmos 25:11              Por causa do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, que é grande. Todos nós temos a justa opinião de que não há pecadinho e pecadão; mas a iniquidade tem tamanho. Um crente pode estar numa iniquidade de pecado imoral há seis meses e outro pode estar no mesmo pecado há quatro anos. Aqui há uma diferença quantitativa de pecado acumulado (iniquidade e grande iniquidade).

Salmos 31:10              Gasta-se a minha vida na tristeza, e os meus anos em gemidos; debilita-se a minha força, por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem.      Pense no pecado como uma ferida – quando ele é confessado, a ferida é curada e cicatrizada. Quando o pecado é mantido e torna repetitivo como um modo de vida, ele é iniquidade e se torna em ferida aberta – pense na mulher hemorrágica – numa analogia - sua força se esvaía. A iniquidade suga nossas forças e enfraquece nossos ossos.

Salmos 32:1-4             Na mesma intensidade de 31:10 o salmista fala de pecado e iniquidade e do envelhecimento de seus ossos pelo seu constante gemido todo o dia – “porque a tua mão pesava sobre mim e o meu vigor se tornou em sequidão de estio” – Este texto leva a mesma  linha de interpretação – pecado de todo o dia; peso da mão de Deus dia e noite e a sequidão de estio que faz analogia a seca de toda uma estação do ano.

Salmos 38:1-6             Expressões que representam continuidade e ação do presente: “cravam-se em mim as tuas setas” “a tua mão recai sobre mim”  “não há parte sã na minha carne”   “não há saúde nos meus ossos”   “Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniquidades; como fardos pesados excedem as minhas forças” Esse último lamento também nos leva ao entendimento, que não existe tamanho do pecado, mas a pratica da iniquidade (pecado mantido como se fosse normal) tem “tamanho” podendo crescer acima da minha estatura o avolumar-se como a carga de um container sendo amarrado as minhas costas, excedendo minhas forças, quase quebrando minha coluna. “sinto-me encurvado e sobremodo abatido, ando de luto o dia todo”   Em 38:17 ele diz: “pois estou prestes a tropeçar; a minha dor está sempre perante mim – confesso a minha iniquidade; suporto tristeza por causa (da continuidade) do meu pecado” O iniquo tem consciência da sua condição, enquanto o ímpio peca como modo normal de vida. Por isso dizemos que o termo “iniquidade” está mais ligado ao crente e do que ao ímpio.      Salmos 51:3          “Pois eu conheço as minhas transgressões e o meu pecado está sempre diante de mim” “Eu nasci na iniquidade e em pecado me concebeu minha mãe”. Quem é iniquo, sabe que é iniquo. Ele tem um pecado contínuo que é escondido dos outros... mas é consciente.

Entenda:

NO dia tal         ou        DESDE o dia tal

Pecado é evento! O pecado é aquilo que aconteceu NO dia tal e hora tal.

A iniquidade é o pecado “vivo” DESDE o dia tal e a hora tal. Ela não se extingue na morte do pecador iniquo; recaindo sobre seus descendentes. Nesse caso, entendemos que uma iniquidade (de um tataravô) está causando estragos na vida de um descendente, até que essa influência seja quebrada pela confissão de pecados dos antepassados.

Exemplo:     

1 - Se uma pessoa recebeu passe da umbanda uma vez ou mais de uma vez, isso é pecado de contato com demônios, mas é ocasional para essa pessoa (com consequências somente para o tal) e não é levado para os descendentes. Mas se essa pessoa é praticante da religião espírita/umbanda (se morreu vinculado a essa prática), essa é sua iniquidade que será levada para efeito sobre seus descendentes após sua morte.

2 - Se uma pessoa um dia foi a um templo de ídolo e fez uma invocação pedindo um socorro (por exemplo), isso também é um pecado com consequências somente para o tal; mas se ele morre na condição de uma adepto e devoto daquele demônio, o pecado caracteriza como iniquidade (prática de uma pecado) e é levado para os descendentes. É isto que explica a visitação (a justiça de Deus executada) da maldade do pai sobre o filho.

3 – Uma pessoa pode ter tido uma relação extra conjugal ou mais de uma (todas eventualmente) – esse é seu pecado com consequências para si somente. Mas se ele morre durante uma vida adultera ativa, (uma relação conjugal promiscua) essa é sua iniquidade que leva para outras gerações.

 

Salmos 56:7    “Dá-lhes a retribuição segundo a sua iniquidade (de cada um)”. É a iniquidade que atravessa gerações e pode recair sobre os descendentes. Entenda:

Em Êxodo 20:5 e 34:7, quando Deus diz que visitará a iniquidade dos pais nos filhos até quarta geração, Ele está dizendo que o pai morreu na prática de um pecado – ele se refere a esse pecado contínuo e não aos pecados eventuais.  Exemplificando: Meu bisavô pode ter roubado alguém; esse é um evento de pecado dele. Mas, se esse bisavô era um assaltante, que vivia do “rendimento” de seus assaltos diários, essa é sua iniquidade. (Nesse caso o termo iniquidade se aplica a um ímpio) essa é a iniquidade que trará consequências aos descendentes.

 

Nota:               Todo pacto com entidades espirituais é pecado que atravessa gerações. Um pacto é eventual, mas pacto é início de relação. Pacto não se caracteriza como eventual; ele pode ter sido único, num dia tal e hora tal; mas, pacto é relação que pode durar a vida inteira. Um pacto com um demônio caracteriza como relação DESDE e não um evento isolado NO dia tal. Todas as prostitutas que morrem ativas na “profissão” deixam a herança para os descendentes. Todo feiticeiro deixa herança para seus descendentes, todos os viciados em drogas e bebidas embriagantes, todos os promíscuos. E outros tantos exemplos.

 

Salmos 79:8    “Não recordes contra nós as iniquidades de nossos pais; apressem-se ao nosso encontro as tuas misericórdias...” O salmista parece estar dizendo que a ira de Deus está vindo ao encontro dos descendentes do iniquo, portanto clama – que a misericórdia de Deus seja mais rápida e chegue antes do juízo.

Salmos 103:10 “Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades”. Aqui Davi evoca a graça de Deus. Que Deus não considere retribuir conforme as iniquidades.

Salmos 130:3  “Se observares, Senhor, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá?” O salmista fala de iniquidade no plural. Pensemos: Cada iniquidade é um pecado continuado... mantido. Várias iniquidades são vários pecados mantidos e não confessados. 

                      Assim começam se abrir nossos olhos do entendimento a respeito da:

Graça de Deus e da ira de Deus.