sábado, 25 de janeiro de 2020

Iniquidade - Pecado - Transgressão



Texto introdutório     Mateus 24:1-13

Em Mateus 24:12 está escrito:

E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.       Não há dúvida; já estamos vivendo plenamente esta fase do cristianismo.       Muitos consideram a iniquidade neste texto como sendo uma referência aos pecados do mundo.    Nesse caso, analisemos desde o versículo 1:  

Foi o tipo de conversa que se iniciou casualmente e que tomou grandes proporções pelo teor das revelações. Jesus saía do templo quando foi abordado pelos seus discípulos: “...aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo”. Jesus diz: “Estão vendo estas pedras? Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada”.

Então os discípulos fazem outra pergunta em particular: "Dize-nos quando sucederão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século”.

Nota.:  A partir daí Jesus está conversando com eles sobre esses três eventos: A destruição do tempo; Sua vinda e a Consumação do século (o fim da era cristã – o fim da geração presente – fim da “era de peixes” (!)).    Essa é uma conversa particular: De Jesus com seus discípulos.  Não havia simples curiosos ali; todos eram seguidores de Jesus.

Vede que ninguém vos engane. Porque muitos virão eu meu nome dizendo: “Eu sou o Cristo”, e enganarão a muitos. Jesus está se referindo aos falsos cristos que virão para aqueles que estão esperando pelo Cristo! Portanto quem poderia ser enganado? Obviamente, aquele que espera pelo Cristo verdadeiro.

Verso 9: “Então sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. (Isto já estamos vivendo em “solido e colorido” – os preceitos bíblicos estão sendo a causa de uma guerra  espiritual visível a olho nu – basta ver a mídia secular –  a bíblia (e a igreja cristã) sendo encurralada e forçada a aceitar (calada) a tudo e a todos “em nome do amor”.

Verso 10: Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. Nota que Jesus está falando de coisas que acontecerão no meio do povo dele. Como assim? Em relação ao mundo, essas revelações caiem na esfera do óbvio: “engano; traição; ódio; falsidade ideológica” – são características obvias deste mundo – se não, o mundo não seria o mundo! Mas não são comuns ao povo de Deus! Porém, acontecerá...

Pulando o verso 12! Diz o verso 13: Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. Essas palavras foram ditas para os seguidores: “perseverança em meio a todas essas pressões e, por fim, a salvação”. O termo “perseverança” e seu significado (nesse texto) não harmoniza com os ímpios.

Agora vamos ao verso 12: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”. Jesus estava falando de “amor” e “esfriamento” em relação ao mundo?? Não! Jesus refere-se ao esfriamento espiritual – que nada tem a ver com o mundo e sim com a vida espiritual dos que confessam seu nome. Jesus não está se referindo ao amor deste mundo e sim ao amor que une pessoas sob a mesma fé e por causa de um só ato que foi o amor dele por nós ao morrer por nós. O mundo nada tem com esse amor citado no verso 12.

Portanto: O Senhor está falando do aumento da iniquidade no meio do povo dele, levando quase todos ao esfriamento e à apostasia.     A apostasia é um dos sinais que antecedem a vinda do homem do pecado, o iniquo. Aqui, o termo Iniquidade, definitivamente está se referindo à situação da igreja cristã.

Não sei quantos se atentam ao detalhe de que a palavra iniquidade está mais ligada aos piedosos do que aos ímpios e declaradamente perdidos desta terra, embora tenha na bíblia, textos referindo-se aos dois grupos.

A palavra pecado está relacionado aos ímpios que pecam desde seu nascimento e, também aos salvos que, mesmo sendo salvos, ainda estão sujeitos a pecar. E pecam.

Vamos analisar as três palavras e interpretá-las:

Transgressão – Pecado - Iniquidade

 Transgressão:   Antes dela vamos a uma palavra que parece ser da mesma família:   A agressão.

Numa agressão você colide; confronta; bate de frente; fere e é ferido; causa dano e sofre dano; estraga e sofre estrago! Assim, sem buscar no dicionário, dizemos que agredir é colidir, confrontar, bater de frente, ferir, causar dano, causar estrago.

Como comparação, dizemos que aquele que transgrede é:

Aquele que não colide! Mas, passa por cima de algo; ou passa de largo por algo; ignora um limite ou uma regra; faz o que não deve; ou não faz o que deve.

A transgressão está ligada a uma regra, uma lei, particular que pode ser universal ou regional; e está ligada ao outro – a quem, e com quem você se resolve mediante pagamento de multa.

O que é lei num local, pode não ser em outro; assim alguém pode ser transgressor dentro de uma fronteira e não ser em outra.

Biblicamente:  Na bíblia a palavra comumente está casada com a lei: “transgressor da lei” (referindo-se aos hebreus que estavam sob a Lei de Moises). Ou sozinha: “transgressor” (referindo-se a qualquer pessoa).

A transgressão é inerente ao ímpio e ao justo.  A transgressão é uma prática contra a lei; a regra; a norma.

A transgressão não é a expressão direta de um pecado específico, mas reflete a postura obstinada de alguém.  (obstinação = agir pelo próprio querer, seguir sua própria vontade) e a propensão à desobediência.

O transgressor é aquele que decidiu não cumprir ordens e/ou não seguir regras – Ele passa por cima ou passa de largo – finge que não vê – ignora – finge que não sabe.

Na bíblia, a maioria expressiva das menções da palavra “transgressão” está ligada a Lei de Moises, e não tem nenhuma ligação com o povo gentio (as nações). A palavra “transgressor” sozinha, se refere a qualquer pessoa que transgrede uma regra.

 Pecado:   O pecado é inerente ao ímpio e ao justo.

Na vida do ímpio, o pecado é a expressão máxima de toda sua natureza, o pecado é uma prática constante desde seu nascimento.

Na vida do justo, o pecado é evento fortuito (sem detalhar, dizemos que o pecado na vida do justo não é uma prática, nem uma constante). Na conversão (linha divisória) de um homem, todos os pecados [ * ] são perdoados [ * ]desde o nascimento até o momento de seu batismo [ * ]. O que chamamos de evento do pecado aplica-se ao pecado cometido depois da conversão.

Vamos dizer que o pecado é todo ato ou comportamento ou omissão que vai contra a santidade e os demais atributos de Deus. Quando o homem age em contrário a tudo que Deus lhe determinou como padrão daquilo que o faz Sua imagem e semelhança. Tomamos os dez mandamentos (sendo o sábado um caso particular aos judeus) como matriz para entender a natureza de todos os pecados.

O ímpio é chamado de pecador porque peca desde o seu nascimento.

O homem piedoso também peca, mas o adjetivo “pecador” não mais se aplica ele, pois o pecado na vida dele é evento e não prática.

 Iniquidade         A iniquidade é a falta de equidade

Equidade = igualdade – dentro do contexto jurídico é tratar e julgar segundo uma lei, seguindo um padrão para todos os indivíduos - a lei é uma linha reta a ser seguida.

Padrão – a melhor definição de padrão aqui é dizer que “tudo é igualzinho” – algo que sempre segue um mesmo molde.

Biblicamente:    O iniquo “sai do padrão” ou “tira Deus do padrão” ou “ignora o padrão” ou “abandona o padrão”. (do julgamento de Deus e das consequências do pecado) É o que foge à regra do juiz, esquecendo-se ou ignorando o padrão de Deus – muito embora, não negue a fé e continue (até mesmo) em cargos importantes dentro da igreja.

A justiça de Deus é um padrão – A justiça de Deus é um padrão de equidade (redundância sim). Ou seja: Deus pune porque tem que punir. Ou Deus justifica (absolve) quando o “réu” se põe em posição de ser perdoado. Deus não foge ao padrão quando deve punir e não foge ao padrão quando deve justificar.

Em Lucas temos um texto que fala de um juiz iniquo.

Por que esse adjetivo foi dado a ele? Porque ele agia com deslealdade à lei – ele não usava de equidade e padrão, não julgava segundo a reta justiça.   Quando a viúva pedia que ele jugasse sua causa, ela tinha de fato uma causa, mas “seguindo seus próprios padrões”, ele se recusava a fazer justiça na causa dela – até que foi vencido pela importunação (e não pelo dever e imparcialidade).

Agora vamos tornar claro o que é iniquidade.

Primeiramente vamos pontuar que a iniquidade está mais ligada ao piedoso do que ao ímpio. Na bíblia vemos a palavra iniquidade mais ligada ao povo de Deus do que às nações. Em alguns versículos vemos as três palavras mencionadas juntamente: “iniquidade, justiça, equidade”. O conceito de iniquidade quando aplicada ao ímpio, está no mesmo conceito da palavra “pecado”. Por quê? Porque iniquidade é pecado.  Quando se refere ao ímpio, a palavra mais usual é sempre: “pecado”; mas, em relação ao justo há uma diferença – algo específico para o termo “iniquidade”.

Falando do COMUM e do NORMAL.

Podemos afirmar que os pecados na área sexual, imoralidades, promiscuidades se tornaram comuns, mas eles não são considerados como práticas normais, nem para o mundo, nem (obviamente) para a igreja.

Adultério atualmente, é comum; mas (pelo menos por enquanto) nem no mundo secular, a traição é vista como normal.

Idolatria é marca registrada do Brasil, muito comum. Mas idolatria não é atividade normal para os cristãos, por ser condenada por Deus.

Poderia enumerar dezenas de pecados que se tornaram comuns no mundo, mas ainda assim não considerados como normais.    

Para reflexão da igreja: (atitudes que não podem ser consideradas nem comuns e nem normais)

Subornar instrutor de autoescola para tirar CNH é comum e normal para o mundo...

Fazer criatividades na declaração de imposto de renda é comum e normal para o mundo

Burlar meios para ter direito a benefícios do Governo é comum e normal para o mundo

Ter um comercio e fazer pedaladas fiscais é comum e normal para o mundo

Sexo livre é comum e normal para o mundo

O aborto como livre escolha para a mulher é assunto em evidencia no mundo!

Usar o nome de Deus em memes, piadinhas e até deboches é comum e normal para o mundo

Vestir-se sensualmente e indecentemente é comum e normal para o mundo

Alguns (ou muitos) atos que não eram para ser comuns, estão se tornando comuns dentro da igreja e estão se tornando também normais

Isto é iniquidade

O pecador é sempre pecador – ainda que seja também chamado de iniquo – ele é ímpio por natureza – sua linha divisória do pecado é sua morte – ele nasce no pecado e continua pecando até que morra - e a morte sela seu destino, indo este para diante de Deus em juízo com todos seus pecados acumulados.

Todo pecador por natureza é um ímpio.

Quando o piedoso (o justo; o crente; o salvo) comete um pecado, esse pecado é eventual e não lhe taxa como pecador – pois ele tem linha divisória (a conversão zerou o seu passado - diferente do ímpio que não tem seu passado zerado quando morre).  Mas, quando o piedoso (justo; crente; salvo) faz do pecado eventual uma prática na sua vida, isso é iniquidade. A partir da conversão –  estando na prática de um pecado (ou mais) ele nem é chamado de pecador e nem de ímpio – ele é iniquo.

Iniquidade está ligada a uma ação: Alguns versículos expressam bem isso ao trazer o verbo praticar junto com a palavra iniquidade (“os que praticam a iniquidade”).

Iniquidade é a prática do pecado – Iniquidade é continuidade de um pecado – Iniquidade é tornar um pecado um ato constante – sem tratá-lo – deixá-lo “correr solto”. E por que a iniquidade é mais inerente ao povo de Deus do que ao mundo? Porque o iniquo ("crente pecador") sabe que está pecando e sente pesar por isso. O ímpio não tem consciência do pecado ou simplesmente ignora qualquer consequência do pecado.

(Não estamos dizendo que o ímpio não conhece as leis, as regras, a Palavra de Deus, a bíblia – estamos dizendo que tudo isso é coisa sem nenhum  valor para ele – ele despreza a Deus e a bíblia, portanto peca sem temor - e nem considera que tenha feito nada errado).

(Mas o iniquo é aquele que conhece as leis, as regras, a Palavra de Deus, a bíblia – mas leva uma vida de pecado, apesar de ter temor de Deus).

Explicando melhor: Caracteriza-se como iniquidade o pecado quando se torna normal no ambiente onde não se espera “vê-lo”.

Exemplificando no ímpio é no crente.

Matriz e derivado

Em relação ao ímpio, todos os seus pecados são matrizes – e sempre que ele cometer esses pecados, sempre o caracterizamos como pecador (e não como iniquo), pois não há linha divisória para o pecado do ímpio. O ímpio nasce no pecado e continua pecando até que morra ou se converta.

Um ímpio é um pecador não nascido de novo, em sua natureza original (pecado) e que está “feliz” com seu estado (matriz) de pecador.

O iniquo têm consciência de estar cometendo “erros”. Ele simplesmente deixa “a vida levar”, como se o comum fosse normal.    Enfim:

A iniquidade é inerente ao crente e à igreja (um crente pode ser iniquo – uma igreja pode ser iniqua).

O iniquo:   Exemplos de crentes iníquos.

1)      Um cristão sincero que vê pornografia se masturbar (se for casado, nesse momento comete o pecado do adultério) – em resumo, ele profana o próprio corpo – esse é seu pecado matriz (e é evento) .

Quando caracterizamos a iniquidade? Quando esse irmão passa a conviver com esse pecado ao ponto de se tornar normal para ele, ou seja, ele ignora que há um padrão de justiça de Deus (condenação) para esse tipo de pecado, então ele, continua na pratica da profanação de seu corpo e ainda mantem a confissão da fé cristã. Nota importante: Ele tem plena consciência de estar pecando e sabe que há um juízo de Deus para seu ato, mas ele simplesmente não trata o problema. Davi clamou no Salmo 51: “Perdoa a iniquidade do meu pecado”. Parece redundante, né? Mas não é! Davi está dizendo, perdoa me pelo meu pecado repetitivo, pela prática repetitiva desse pecado, sou reincidente e reincidente (a diferença é que aqui, Davi está pondo um “basta” nessa situação). O pecado estava tão comum a ponto de “quase” tornar coisa normal.

Outro exemplo:

2)      Um (a) irmão (a) tem uma relação extraconjugal. Esse irmão tem cargo na igreja (ou não). O pecado do adultério passa a ser parte da vida dele, ele não trata o problema, apesar de ter consciência de estar pecando. Seu pecado matriz é adultério. Sua iniquidade é adultério mantido e não tratado – é a convivência com Deus e com o pecado, como se fosse coisa normal.

3)      Um irmão é procurado pela polícia, por ter roubado um carro no passado – esse é o carro que ele usa para vir a igreja... Ele tem consciência que precisa se ajustar com a justiça terrena – mas nada faz – leva vida “normal” com a igreja e consigo mesmo. ( [ * ] nesse caso, quando pusemos os colchetes lá no alto do texto  fica claro que alguns pecados são zerados no sentido de que esse pecador foi aceito na familia de Deus, mas algumas pendencias terrenas devem ser baixadas).

4)      Um crente pode estar numa relação conjugal não legalizada (inclusive com filhos – que a bíblia considera como bastardos) e ainda pode ter mais filhos de outras relações de “sexo livre” anteriores; e achar que não precisa fazer nada a respeito, seguindo uma vida “cristã. Seu pecado matriz é fornicação. Sua iniquidade é fornicação continuada ( [ * ] nesse caso, quando pusemos os colchetes aí no alto do texto  fica claro que alguns pecados são zerados no sentido de que esse pecador foi aceito na familia de Deus, mas algumas pendencias terrenas devem ser baixadas).

5)      Um crente pode alimentar um ou mais vícios ao mesmo tempo que confessa a fé cristã. Seu pecado  matriz é a profanação e destruição do corpo (o templo); e sua iniquidade é a profanação continuada do templo (o corpo).

O que é uma igreja iniqua?

No mesmo entendimento da iniquidade do crente como um pecado mantido, não tratado e que passou a ser normal para ele (ele pensa que não precisa fazer nada, pois, em seu entendimento, ele está “bem” com Deus) , assim, uma igreja é iniqua quando é consciente desses pecados no meio do seu rebanho e igualmente, não faz nada – convive como se fosse coisa normal (Se Deus não mandou fogo consumidor sobre ela, faz parecer que está tudo bem, tudo normal – ela também se sente “bem com Deus”)

Exemplos:

1) Uma liderança denominacional pode ter ciência de ter vários pastores em adultério e não trata o problema. Ela é iniqua – cumplice dos pastores adúlteros.

2) Outra liderança denominacional pode ter ciência de que o tesoureiro rouba o Caixa da igreja, mas não toma nenhuma atitude por ser ele um dos maiores dizimistas. Ela é iniqua – cumplice do desvio de recursos da igreja.

3) Outra liderança denominacional pode ter ciência de que metade dos jovens da igreja que namoram, tem vida sexual ativa; algumas jovens engravidaram; mas, alguns são filhos de membros notáveis na igreja; enfim, ela não faz nada! Ela é uma igreja cumplice da fornicação.

4)  Outra liderança pode ter ciência de que alguns membros do coral se odeiam e não se falam (esses que “adoram a Deus” odiando os irmãos) – mas essa igreja (iniqua) leva como coisa corriqueira (ela diz que é normal que as pessoas se desentendam).

 

Tudo que era comum, passa a ser normal. A igreja iniqua passa a ser cumplice de seus membros pecadores.

Sem falar dos vícios de bebidas, tabaco, casos jurídicos não resolvidos; e outras tantas coisas... Pecados não tratados são iniquidades. A igreja iniqua banaliza e sucateia a justiça de Deus – trazendo Deus ao nível dos homens para não precisar passar seus homens pelo fogo purificador.

Para fechar o entendimento da iniquidade.

Iniquidade é pecado continuado quando se refere ás falhas do justo.

Tanto o homem iniquo como a igreja iniqua; fazem vista grossa ao padrão de justiça de Deus – apesar de ter consciência dos pecados cometidos, ignoram o fato de que Deus tem uma régua de fio reto, uma balança justa, um padrão de justiça imparcial e um caráter que não muda.

O fato de Deus não fazer a terra se abrir para engolir os pecadores, faz com que esses se sintam confortáveis.

Estamos congregando num tipo de igreja que se tornou comum – o grande problema é considerar que ela é normal.

 

Salmos 25:11              Por causa do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, que é grande. Todos nós temos a justa opinião de que não há pecadinho e pecadão; mas a iniquidade tem tamanho. Um crente pode estar numa iniquidade de pecado imoral há seis meses e outro pode estar no mesmo pecado há quatro anos. Aqui há uma diferença quantitativa de pecado acumulado (iniquidade e grande iniquidade).

Salmos 31:10              Gasta-se a minha vida na tristeza, e os meus anos em gemidos; debilita-se a minha força, por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem.      Pense no pecado como uma ferida – quando ele é confessado, a ferida é curada e cicatrizada. Quando o pecado é mantido e torna repetitivo como um modo de vida, ele é iniquidade e se torna em ferida aberta – pense na mulher hemorrágica – numa analogia - sua força se esvaía. A iniquidade suga nossas forças e enfraquece nossos ossos.

Salmos 32:1-4             Na mesma intensidade de 31:10 o salmista fala de pecado e iniquidade e do envelhecimento de seus ossos pelo seu constante gemido todo o dia – “porque a tua mão pesava sobre mim e o meu vigor se tornou em sequidão de estio” – Este texto leva a mesma  linha de interpretação – pecado de todo o dia; peso da mão de Deus dia e noite e a sequidão de estio que faz analogia a seca de toda uma estação do ano.

Salmos 38:1-6             Expressões que representam continuidade e ação do presente: “cravam-se em mim as tuas setas” “a tua mão recai sobre mim”  “não há parte sã na minha carne”   “não há saúde nos meus ossos”   “Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniquidades; como fardos pesados excedem as minhas forças” Esse último lamento também nos leva ao entendimento, que não existe tamanho do pecado, mas a pratica da iniquidade (pecado mantido como se fosse normal) tem “tamanho” podendo crescer acima da minha estatura o avolumar-se como a carga de um container sendo amarrado as minhas costas, excedendo minhas forças, quase quebrando minha coluna. “sinto-me encurvado e sobremodo abatido, ando de luto o dia todo”   Em 38:17 ele diz: “pois estou prestes a tropeçar; a minha dor está sempre perante mim – confesso a minha iniquidade; suporto tristeza por causa (da continuidade) do meu pecado” O iniquo tem consciência da sua condição, enquanto o ímpio peca como modo normal de vida. Por isso dizemos que o termo “iniquidade” está mais ligado ao crente e do que ao ímpio.      Salmos 51:3          “Pois eu conheço as minhas transgressões e o meu pecado está sempre diante de mim” “Eu nasci na iniquidade e em pecado me concebeu minha mãe”. Quem é iniquo, sabe que é iniquo. Ele tem um pecado contínuo que é escondido dos outros... mas é consciente.

Entenda:

NO dia tal         ou        DESDE o dia tal

Pecado é evento! O pecado é aquilo que aconteceu NO dia tal e hora tal.

A iniquidade é o pecado “vivo” DESDE o dia tal e a hora tal. Ela não se extingue na morte do pecador iniquo; recaindo sobre seus descendentes. Nesse caso, entendemos que uma iniquidade (de um tataravô) está causando estragos na vida de um descendente, até que essa influência seja quebrada pela confissão de pecados dos antepassados.

Exemplo:     

1 - Se uma pessoa recebeu passe da umbanda uma vez ou mais de uma vez, isso é pecado de contato com demônios, mas é ocasional para essa pessoa (com consequências somente para o tal) e não é levado para os descendentes. Mas se essa pessoa é praticante da religião espírita/umbanda (se morreu vinculado a essa prática), essa é sua iniquidade que será levada para efeito sobre seus descendentes após sua morte.

2 - Se uma pessoa um dia foi a um templo de ídolo e fez uma invocação pedindo um socorro (por exemplo), isso também é um pecado com consequências somente para o tal; mas se ele morre na condição de uma adepto e devoto daquele demônio, o pecado caracteriza como iniquidade (prática de uma pecado) e é levado para os descendentes. É isto que explica a visitação (a justiça de Deus executada) da maldade do pai sobre o filho.

3 – Uma pessoa pode ter tido uma relação extra conjugal ou mais de uma (todas eventualmente) – esse é seu pecado com consequências para si somente. Mas se ele morre durante uma vida adultera ativa, (uma relação conjugal promiscua) essa é sua iniquidade que leva para outras gerações.

 

Salmos 56:7    “Dá-lhes a retribuição segundo a sua iniquidade (de cada um)”. É a iniquidade que atravessa gerações e pode recair sobre os descendentes. Entenda:

Em Êxodo 20:5 e 34:7, quando Deus diz que visitará a iniquidade dos pais nos filhos até quarta geração, Ele está dizendo que o pai morreu na prática de um pecado – ele se refere a esse pecado contínuo e não aos pecados eventuais.  Exemplificando: Meu bisavô pode ter roubado alguém; esse é um evento de pecado dele. Mas, se esse bisavô era um assaltante, que vivia do “rendimento” de seus assaltos diários, essa é sua iniquidade. (Nesse caso o termo iniquidade se aplica a um ímpio) essa é a iniquidade que trará consequências aos descendentes.

 

Nota:               Todo pacto com entidades espirituais é pecado que atravessa gerações. Um pacto é eventual, mas pacto é início de relação. Pacto não se caracteriza como eventual; ele pode ter sido único, num dia tal e hora tal; mas, pacto é relação que pode durar a vida inteira. Um pacto com um demônio caracteriza como relação DESDE e não um evento isolado NO dia tal. Todas as prostitutas que morrem ativas na “profissão” deixam a herança para os descendentes. Todo feiticeiro deixa herança para seus descendentes, todos os viciados em drogas e bebidas embriagantes, todos os promíscuos. E outros tantos exemplos.

 

Salmos 79:8    “Não recordes contra nós as iniquidades de nossos pais; apressem-se ao nosso encontro as tuas misericórdias...” O salmista parece estar dizendo que a ira de Deus está vindo ao encontro dos descendentes do iniquo, portanto clama – que a misericórdia de Deus seja mais rápida e chegue antes do juízo.

Salmos 103:10 “Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades”. Aqui Davi evoca a graça de Deus. Que Deus não considere retribuir conforme as iniquidades.

Salmos 130:3  “Se observares, Senhor, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá?” O salmista fala de iniquidade no plural. Pensemos: Cada iniquidade é um pecado continuado... mantido. Várias iniquidades são vários pecados mantidos e não confessados. 

                      Assim começam se abrir nossos olhos do entendimento a respeito da:

Graça de Deus e da ira de Deus.

 


domingo, 19 de janeiro de 2020

Morte - esse dia chega para todos


                                                                    


Paulo escreveu pelo Espirito Santo:

Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza, e da maldade para a maldade, assim oferecei agora os vossos membros para servirem a justiça para a santificação. Porque quanto éreis escravos do pecado, estáveis isentos em relação a justiça. Naquele tempo que resultados colhestes? Somente as coisas de que agora vos envergonhais; porque o fim delas é a morte. Agora, porem, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida eterna; porque o salario do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.

Hoje temos que falar de um assunto que corre naturalmente para muitos e causa mal estar em outros – A morte.

Talvez tenhamos que atingir aqueles que nunca tenham se exposto ao assunto, ou tenham fortemente evitado o assunto: “o dia da morte”.

O evento da morte está envolto em mistério – fato é que ninguém dentre os mortos, voltou aqui para dizer exatamente o que aconteceu depois que seus olhos se fecharam na terra.

E, apesar de ser arrepiante para outros muitos, não há como fugir desta realidade:

Todos morreremos um dia.

Todos nós temos (falamos num simbolismo) aquele calendário da vida no qual cada dia está dentro de um quadradinho como um jogo de damas. Quando o relógio marca 00:00 horas, faz-se um “X” num dia que se findou; acrescenta-se um dia ao tempo vivido e diminui-se um dia dos que nos restam até a morte.

Estamos caminhando numa direção certa e inevitável; uns rapidamente outros lentamente, mas é certo que a morte virá – todos tem essa certeza – nenhum homem pode evitar que esse dia chegue.

Eu não tenho propriedade para falar do “depois” – cada um terá o seu “depois”.

O “depois” de cada um depende do “agora”, do hoje.

A morte está ligada ao corpo físico e aos sentidos.

Para qualquer homem comum, a evidência maior de que alguém está vivo é o movimento respiratório – mas você nem verifica a respiração num corpo se nele houver outros movimentos – você sabe que ele está vivo por causa dos movimentos.

Entendamos então: A nós foi dada a vida num sopro divino – o sopro divino é o dispositivo que coloca em movimento todo o resto do corpo.

E o que Deus soprou para dentro de nós? O espírito!

O espírito é a vida!  O corpo é a habitação do espírito – o corpo é a expressão visível da vida! O espírito não é visível, o corpo é visível. O espírito, sendo a vida, não é variável, entenda: Ou vivemos ou morremos!

Se vivemos é porque temos espírito; se o espírito sai de nós, morremos!

Todas as variações ocorrem no corpo!

E o que chamaremos de variação no contexto da mensagem?

É aquilo que nos torna diferentes uns dos outros.

Não estou falando de gênero (M,F,) nem de genética (cor da pele, cor dos olhos, estatura, tipo de cabelo, tom da voz,   pelos ou lisura do corpo, tamanho do nariz e da orelha, tendência a calvície, a obesidade ou raquitismo) nem estou falando de níveis sociais, nem de níveis intelectuais.

Podemos selecionar no mundo 1000 pessoas que sejam nessas características físicas; ainda assim, elas serão diferentes naquilo que quero contextualizar na mensagem:

A diferença que faz nosso destino diante de Deus é o conjunto das nossas ações, reações, decisões, omissões, preferencias e paixões – andamos na direção de algo que está atrás de uma porta.

Para muitos a caminhada é num caminho apertado e o destino se dá na abertura de uma porta estreita. Para outros; um caminho espaçoso apontando uma porta larga no horizonte.

O fechar dos olhos (que aqui chamamos de morte) é simultâneo ao abrir da porta (estreita para a vida ou larga para a perdição) – é por isso que dissemos que cada um tem seu “agora” e terá o seu “depois” – dependendo do caminho escolhido – pois a morte é certa e inevitável – e então tudo que hoje é mistério, deixará de ser!

Por quê um caminho apertado e uma porta estreita?

Porque tem a ver com meus atos individuais e aponta para um único homem (Jesus) e um único destino (vida eterna, direta, sem julgamento).

A salvação é individual – de um para um (Um só Senhor e salvador; um só ato de justiça; uma só confissão; uma só fé; um só batismo) – cada um toma isso para si – individualmente.

Estar nesse grupo é ato de escolha consciente a partir do conhecimento da verdade, o evangelho.

Por quê um caminho espaçoso e uma porta larga? Porque discorre de todos os atos pecaminosos, de todas os atos de corrupção, tanto no corpo como fora do corpo, de todas as consequências do engano e da cegueira, da obstinação e da incredulidade – que se pratica nesta terra.

Estar nesse segundo grupo – é simplesmente “estar” – consciente ou inconsciente. O diabo não exige que você saiba coisa alguma, seja sobre o que você faz ou o que lhe virá depois – ele tem força na sua ignorância e na sua cegueira.

Então virá o grande susto – a oportunidade de dizer que “não sabia”.

Mas Paulo escreveu:

... pois já temos demonstrado que todos... estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo; nem um sequer; não há quem entenda; não há quem busque a Deus; todos se extraviaram; a uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem; não há nem um sequer. A garganta deles é sepultura aberta; com a língua urdem engano; veneno de víbora está nos seus lábios; a boca eles a tem cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos há destruição e miséria; desconhecem o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. (Romanos 3:9-18)

A propaganda leva a adesão a algo e a antipropaganda induz à rejeição de algo – depende do produto.

Nesse caso:

O caminho apertado e a porta estreita (que são para a vida) sofrem a antipropaganda do mundo para que rejeitando-os, você não chegue ao bom destino.

O caminho espaçoso e a porta larga (para a perdição) tem o apoio do mundo pela propaganda. A propaganda convence!   Dependendo da habilidade do marqueteiro, todas as coisas ruins e todas as práticas vergonhosas da terra podem ser absorvidas e praticadas como sendo boas e aprazíveis – é o poder do convencimento, poder da persuasão! Na verdade, o poder do engano.

Enfim, a morte chega, a porta do destino se abre!

Há quem acredite numa chance depois da morte, depois que a porta se abrir – depois que se constatar que o caminho o levou para um lugar inesperado.

Mas já falamos que o destino de uns e outros se difere em seus atos: o conjunto das ações, reações, decisões, omissões, preferencias e paixões.

Andamos na direção de algo que está atrás de uma porta.

O pecado e a morte estão ligados ao corpo físico; o pecado reina sobre o corpo do pecador. Um rei tem sob seu domínio servos 100% submissos, quem se rebela ou desobedece a esse rei, morre! A morte (física) é a consequência da desobediência; assim é o domínio do pecado sobre o pecador.

Paulo escreveu: “Não reine o pecado sobre o seu corpo mortal” (Romanos 6...)

A morte espiritual – a condenação de um pecador no juízo de Deus é a causa normal e natural por suas escolhas no seu momento “agora”.

Entendendo o normal e o anormal:

Se eu pegar um martelo e um prego grande, e com esse martelo atravessar a minha perna com o prego, será normal doer e sangrar – será anormal se não acontecer sangramento e nem dor. Se do mesmo martelo eu receber várias batidas na cabeça, meu crânio rachará e eu morrerei – não será normal que eu viva a esse traumatismo.

Assim é normal e é esperado como justo que Deus condene um pecador à morte (há uma harmonia entre pecado e morte (condenação).

E Deus não agirá contrário à natureza.

Romanos 4:4 “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e, sim, como dívida.

Romanos 6:23 ... porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.

Todo patrão tem uma obrigação legal – pagar salários aos seus empregados.

Deus tem uma obrigação “legal” de pagar o salário ao pecador! Que salário? A morte,  que nesse caso, é a condenação ao pecador.

Para o pecador – é o pagamento pelos atos praticados nos membros do seu corpo, pois está escrito:

Romanos 6:13 ... nem ofereçais cada um os membros de seu corpo ao pecado como instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça.

Então temos que voltar a um ponto:

Há quem acredite numa chance (um purgatório) depois da morte física – depois que se constatar que o caminho o levou para um lugar inesperado.

Mas se os pecados são cometidos no corpo físico – concebidos num coração físico e maquinados numa massa cefálica física, não há mais nada que se possa fazer após a morte – quando o corpo físico se desfaz – onde os pecados ocorreram e selaram a condenação do pecador.

A palavra de Deus diz que é do coração que procedem: maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias... (Mateus 15:19). Todos esses atos são cometidos em vida física – e são “colocados numa grande mala que será presa ao pecador e será aberta na sala do juízo de Deus”.

Cada um abrirá a sua, e, o que tiver nela não poderá ser apagado.

E o efeito propaganda? Se água fresca faz bem ao meu corpo, não preciso ser persuadido a tomá-la. Mas, se me deixei persuadir a tomar veneno letal em lugar da água, não há mais nada que se possa fazer por mim – a natureza seguira seu curso e eu inevitavelmente morrerei.

 Não temos a opção de não morrer fisicamente. Mas temos a escolha de viver eternamente pelo poder do evangelho. (Romanos 1:16-17) Isto é uma condicional: Se eu der ouvidos ao evangelho e nascer de novo - viverei.

Podemos dizer que a morte física tem domínio sobre nós! É uma certeza que temos! Deus nos deu uma vida limitada ao dia da nossa morte.

Nenhum homem consegue por si só romper as algemas do pecado – portanto, num ritmo natural, todo homem comum está sendo levado á outra morte também – a condenação no juízo de Deus.

O homem precisa de uma intervenção maior – um poder maior do que o poder do pecado e da morte para que possa se salvar.

Cristo, enquanto homem físico, (verbo encarnado) esteve sujeito ao poder da morte por causa do corpo físico (Filipenses 2:5-9) – e de fato ele morreu pelo desígnio de Deus. Mas aquilo (o pecado) que dá direito, força e domínio à morte sobre um homem, não existiu em Jesus; logo, ele morreu por escolha e os pecados que foram colocados sobre ele, não eram dele.

Quando morremos, a morte triunfa sobre nós – é o processo normal – é a natureza.

Quando Cristo morreu, o processo foi inverso; a morte foi aniquilada – porque onde não há pecado não há condenação – se o corpo do pecado está morto – a morte não pode dominar.

No novo nascimento, fazemos morrer nossa natureza apaixonada pelo pecado (Col. 3:5+) e a vida triunfa.

Mas, se o pecado dá direito à morte, e sendo Deus justo na aplicação de sua justiça – o preço tinha que ser pago – Jesus toma sobre si (por escolha) nossos pecados e recebe sobre si o juízo – trazendo justificação para os que creem, para os que se entregam.

Isto chama-se imputação: Numa troca, Jesus toma sobre si meu pecado – paga o preço que era devido a mim – bebeu do cálice da ira de Deus. Então ele imputa em mim: JUSTIFICADO. E eu vivo.

Quando ele diz: “Pai, se possível, passe de mim esse cálice”, ele sabia o que é a ira de Deus.

Quem de nós sabe o que é morrer sem estar salvo?

Paulo escreveu.

Ele tomou o pão e disse: Comei – isto é o meu corpo oferecido por vós

Ele tomou o cálice e disse: Bebei – isto é o meu sangue derramado por vós.

Façam isso em memória de mim – até que eu volte.

 

 

 

 



terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Deus Vivo - Cristianismo vivo - Palavra viva


É comum dizermos que alguém é cheio do espírito, mas não é comum dizermos que alguém é cheio de Deus ou cheio de Jesus. 
Paralelamente é comum referir-se à experiencia de alguém dizendo que tal pessoa tem “vida com Deus”, ou “vida com Cristo”, mas não é comum dizer: “vida com o Espírito Santo”. 
Quanto a Cristo, Paulo falou: “Cristo vive em mim”! Paulo não diz: “Deus vive em mim” ou o “Espírito Santo vive em mim”. 
O autor de Hebreus escreveu: “Que hoje, Deus fala em Jesus e que outrora falava por meio dos profetas. Paulo falou: “Cristo fala por meu intermédio”. 
Em outro momento Jesus disse que o Reino de Deus está dentro de vós. Se o Reino de Deus está em nós - isto tem uma amplitude que não dá para explicar com poucas palavras – é melhor tentar viver isto, sem mesmo entender plenamente e sem conseguir explicar!

Temos nossas opiniões sobre o que é alguém cheio do Espírito Santo. 
Tomamos como base a forma com alguém ora, seu tom de voz, ou como alguém prega, também no tom da voz e como gesticula, se fala em línguas, se são “línguas tonantes, vibrantes”; se num ato de expulsão de demônios, tal pessoa grita muito – se ela ruge ferozmente contra os demônios; ou se tal pessoa grita bastante na igreja, dando muitos glorias e aleluias – eu não vou julgar esses itens como quesito – apenas digo que é uma tendência a descrever desta forma que alguém é cheio do espirito.

Em geral dentro das igrejas, o que qualifica um homem cheio do espírito está ligado ao “barulho”, ao “som” – e não podemos negar completamente nem parcialmente.

A voz de comando
O som e as manifestações corporais brotam de dentro – e brotam por causa de algo que está dentro – no contexto da vida cristã, isto tem a ver com a presença de Deus em nós; com a presença de Cristo em nós; com a presença do Espírito Santo em nós.

Quase todos os atos milagrosos de Jesus foram concretizados por um comando de voz – ele dava um comando de voz e coisas aconteciam.
Um versículo muito conhecido e muito explorado nas mensagens encorajadoras para o exercício da fé é aquele que diz: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá... (Mateus 17:20). A ocorrência ali era da cura de um jovem lunático (aquela era uma doença causada por um demônio)
Em outra ocorrência, após amaldiçoar uma figueira, Jesus disse a mesma coisa: Se tiverdes fé... se até mesmo disserdes a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, tal sucederá... (Mateus 21:21).

Nós associamos muitos atos do cristianismo avivado com a altura da voz – Deus nos mostra que a simples voz é suficiente – tendo a fé como necessidade maior do cristão.

O cristianismo pode ser mera religião para alguém; um simples molde para o comportamento e postura exteriores e, é claro, um monte de conceitos espirituais.
Para nós, o cristianismo é uma relação pautada em ouvir Deus, falar com Deus, agir por fé em Deus e na fé que Deus dá.

A Palavra dita com fé
A Palavra de Deus é algo que se move dentro de nós...
Se a Palavra de Deus fosse descrita como uma máquina, diríamos que ela é pequena, mas que tem o poder de esmigalhar o aço. Se tivéssemos que dar exemplos da capacidade da Palavra de Deus, poderíamos dizer que ela tem poder de trazer o Monte Everest e comprimi-lo dentro desta igreja e ainda assim, todos nós estaríamos confortáveis em nossas cadeiras. 
Quando Jesus falou do monte, ele realmente estava se referindo a um monte – uma elevação na terra. 
Podemos até pensar: “Não faz sentido – Jesus não estava falando literalmente! Mas sim, ele falava literalmente, porque isto não tem a ver conosco e com o monte simplesmente, tem a ver com o poder de Deus. Deus quer que a Palavra dele mova dentro de nós...
E Deus quer que a Palavra dele cresça dentro de nós como uma planta (Marcos 4:26-28) “Erva – espiga – grão cheio na espiga” – As plantas têm ciclos na natureza: Erva, espiga, grão maduro!

Jesus falou sobre “a planta que meu Pai Celestial não plantou” (Mateus 15:13). Toda planta que meu Pai Celestial não plantou será arrancada... São cegos, guias de cegos... cairão ambos no barranco – Jesus falava de ensinamentos hipócritas e que iam na contramão do ensino de Deus.
Plantas tem ciclos – vai da semente ao fruto – e o fruto tem semente – e volta ao ciclo inicial.
Falsos ensinos produzem algo dentro de você! A falta de base resulta numa vida de enganos, fracassos e derrotas – então vem a vitimização! “Nada de bom acontece na minha vida!”

A Palavra terá um ciclo dentro de nós! Mexendo com nossa razão, nossas emoções, nossas lembranças, nossas habilidades, nossas decisões – e nossas certezas!

Diminuindo, mas crescendo
Ela vai crescendo – e fazendo você diminuir – Cristo vai crescendo em você – e você diminuindo para que ele cresça (João 3:30) – Se João quisesse a popularidade para ele, teria arrebanhado centenas, se não, milhares para si; mas sua missão se consumou na alegria de ouvir a voz do noivo. E esse arregimento iria à perdição.
Mas... ao mesmo tempo que diminuímos, também crescemos!
Jesus cresceu em estatura e graça diante de Deus (Lucas 2:52) Esse contexto mostra Jesus (aos 12 anos) enviado pelo Pai - sujeito à sua missão divina e sujeito a seus pais terrenos. “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens.
Pedro nos adverte sobre essas “plantas venenosas” ao dizer:
“Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo... (2 Pedro 3:17-18)
Assim: “Cresçamos diminuindo” conformando-nos com Ele!
Paulo falava de abrir mão de algumas coisas ao concluir com essas palavras: “Conformando-me com Ele na sua morte” (Filipenses 3:7-11). O mesmo Paulo falou aos Romanos sobre uma entrega completa que ocasiona a total desconformidade com esse mundo – na verdade foi uma advertência – “não vos conformeis com este mundo – uma condição para que se experimente a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:1-2)
Por que uns desfrutam de vida vitoriosa e outros não? Por que uns são menos e outros são mais vitoriosos? Deus pôs dentro do homem um poder humano tão grande que me atrevo a dizer que é suficiente para impedir muitas ações do próprio Deus na vida de tal homem! Nota.: Não dizemos que um homem pode neutralizar uma ação de Deus e sim que um homem pode rejeitar uma ação de Deus – é força do querer do homem – a vontade humana.
O homem pode por sua própria vontade, escolher em que quer crer – está dentro do homem o poder da vida e da morte de acordo com suas escolhas.
A vontade antecede a crença – eu acredito naquilo que escolho acreditar – crer é escolha. Primeiramente escolho se quero ouvir... Quem nunca ouviu uma campainha tocar ou um bater de palmas? Alguém está parado no portão... É uma dupla de testemunhas de Jeová! Você escolhe ouvi-las ou não! Se optou por ouvi-las, escolhe depois acreditar ou não em tudo que elas dizem – e por fim escolhe associar-se ao grupo, ou não!
É o querer do homem!
Jesus disse; “Examinais as escrituras porque julgais ter nelas a vida eterna... contudo não quereis vir a mim para terdes vida...” (João 5:38-39)
Em Apocalipse 22:17 diz: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve diga: Vem! Aquele que tem sede venha! E quem quiser receba de graça da água da vida!
Paulo falava acerca da salvação e da ressurreição de Jesus: “Quando ouviram falar de ressurreição de mortos, uns escarneceram, e outros disseram: A respeito disto te ouviremos noutra ocasião” (Atos 17:30-34)
O homem tem escolhas! E essas escolhas o encaminham para a vida ou para a morte.


Deus se revela em sua Palavra
Deus é um ser tangível – apesar de não o vermos, Ele está revelado em sua Palavra escrita!
A bíblia é concreta! O que define algo como concreto ou abstrato? É o teste dos cinco sentidos! Algo é concreto quando se encaixa em pelo menos um dos cinco. A bíblia é visível; tangível, olfativa (submetê-la a esse teste não requer nada de mim – só tenho que vê-la, tocá-la e cheirá-la) – nesses três quesitos dos cinco sentidos, a bíblia é um objeto material e eu um homem físico. Qualquer criança pode exercitar isto! E é assim que “repousa” a bíblia na casa da maioria dos crentes hoje: Algo que vemos, tocamos e cheiramos!
Os outros dois quesitos, que completam os cinco sentidos, estão em outra dimensão: Paladar e audição! A bíblia não é comestível – pelo menos não é racional comê-la! E a bíblia não emite sons! “Comer” e “Ouvir” são duas coisas que requerem muito do homem! Jesus usou uma expressão chocante ao dizer: “Se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos” (João 6:51-58) Em outros tantos textos da bíblia você verá a ênfase: “Quem tem ouvidos, ouça!”.
Comer e ouvir – depende de nós – depende do nosso querer – não depende de Deus!
Agora vamos falar de todos os cinco sentidos no sentido não literal – mas vamos também inverter a ordem inicial.
Você ouve Deus; você se alimenta da Palavra de Deus e depois você sente o bom perfume de Cristo; vê Deus e toca em Deus.

Pai, Filho e Espírito Santo se afunilaram e se condensaram (forças de expressão) dentro da bíblia – Quando seguro a bíblia na mão, tenho nela todos os milagres de Deus, todas a promessas, todos os conceitos, todas as revelações. Agora posso proferir as palavras que tem poder para transportar os montes.
O Deus Todo Poderoso está dentro da bíblia! Essas palavras, quando proferidas, estão carregadas com o poder dele.
Ele é autor e executor – o homem é instrumento voluntário – pois Deus não usa controle remoto.

Duas ações de Jesus
Jesus deu uma instrução direta para Pedro – essa instrução não exigiu nada de Pedro. Tratavam acerca do imposto que era cobrado naquela época... Jesus disse: “Para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e abrindo-lhe a boca, acharás um estater. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti. (Mateus 17:27)
Percebe? Pedro não precisou nem mesmo acreditar – ele foi e fez! Era como andar numa linha reta tendo o alvo visível a frente.

Noutro momento, diante das multidões famintas, os discípulos sugeriram que Jesus dispensasse as multidões em tempo de passar pelas aldeias e comprarem algo para comer...
Jesus disse: “Não precisam retirar-se; dai-lhes vos mesmo de comer... (Mateus 14:15-16).
É o momento que você tem de sair de si; deixar de olhar para si e deixar de tentar agir por si.
Requer o poder do outro, a ação do outro - o poder de Deus e ação de Deus - em você e através de você.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O pecado - O amor de Deus e a Paciência de Deus



“Aquele que não conheceu o pecado, Ele o fez pecado por nós.  (2 Coríntios 5:21) – O texto nos leva à interpretação de “conhecer” como uma relação intima, manuseio, proximidade, preferência, identificação; como a camisa predileta de alguém – como a camisa do time ao qual torce. No tocante ao pecado, essa relação que temos é justamente aquilo que Deus mais odeia!
Deus odeia? – Deus odeia o pecado em nós e nos faz condenáveis diante dele.   Jesus não teve essa relação com o pecado – daí se dizer: “Aquele que não conheceu o pecado...” – Mas Deus “o fez pecado por nós” Deus executou em Jesus aquilo que executaria em nós por causa do pecado. 

Paul Washer ilustrou bem:
“Vamos imaginar que haja uma moça muito fiel e cristã conosco. Ela se manteve limpa das coisas do mundo e andou em santidade, longe das impurezas do mundo. Então, em um desses dias, ela vai até uma cidade grande e decide que vai pregar o evangelho às prostitutas. No entanto, enquanto ela está fazendo isso, a polícia chega. A polícia lança no camburão algumas prostitutas e com elas, lança também a moça cristã. À medida que se dirigem à delegacia as prostitutas estão rindo, contando piadas, falando ao celular. Isto não é nada para elas, não as incomoda. Estão acostumadas a isso. (elas amam o que fazem e se enriquecem com esse trabalho) Mas a moça cristã está encolhida no cantinho, mal consegue respirar. É tão vergonhoso pra ela – essa não é a rotina dela. Ela não anda na pratica dos mesmos pecados das prostitutas, mas naquele dia ela foi (digamos) condenada como tal. Jesus nunca pecou – mas foi morto pelos nossos pecados. Com um diferencial – ele se deu livremente em sacrifício (Filipenses 2). (*)

Se nos, verdadeiramente compreendemos o evangelho, ou melhor, quanto mais compreendemos o evangelho, mais entendemos também que Deus é um Deus que se ira; e que vira as costas ao pecador! Os desavisados, os ignorantes, os meramente religiosos que não tem relação pessoal com Deus, se escondem atrás dessa ideia de que Deus é amor somente. A pura verdade é que suas almas suspiram por isso porque traz um certo conforto.
Primeiro vamos entender a justiça de um Deus de amor a favor de um homem:
Um homem que tenha mergulhado fundo no pecado; tem uma experiência de  conversão verdadeira. Ele ouviu; creu; confessou e entregou sua vida ao controle de Deus. Em sua confissão para salvação ele diz: “Senhor; não posso controlar minha vida!
Se eu controlar minha vida; o pecado me controlará e eu morrerei
Entrego ao Senhor o controle da minha vida”. E isso ele faz de todo o coração!
Uma semana depois esse homem morre e se apresenta na porta do céu!
Por sua natureza, por seus atributos, Deus se obriga (força de expressão) a salvá-lo.
É impossível que Deus aja contrário à sua natureza.
Antes de entendermos a justiça de Deus (quando se coloca) contra um homem, vamos primeiramente indagar:
Deus ama o pecador? Sim! é nossa resposta automática.
Deus odeia o pecado? Sim! também respondemos prontamente!
O pecado tem vida própria? Não! o pecado não é uma ação em si e não tem vontades em si só; o pecado é "um atrativo abstrato".
(Gosto de pensar sobre a maldição da serpente como uma analogia ao diabo – Deus disse: “sobre o teu ventre andaras...” Creio (numa ilustração) que naquele momento, Deus lhe “cortou os membros” e assim, faço a ligação: Satanás está desprovido de membros e de corpo; ele só age através do homem).
Portanto, o pecado só tem expressão quando nós o praticamos!


Pois bem: Deus não vai tratar nada como o pecado e sim com o pecador (o pecado em si é abstrato, mas o pecador é um ser concreto) O pecado não vai a julgamento; o homem pecador é quem vai.
Um câncer é abstrato, (pensemos num câncer maligno) nós não o vemos a menos que ele esteja destruindo um corpo – nós não conseguimos pensar nele isoladamente de um corpo – temos que pensar em alguém sofrendo com um câncer para ter a ideia de quão terrível ele é. (o pecado em si é um ser abstrato, mas o homem o concretiza)
Então podemos agora entender um Deus de amor colocando-se contra um homem.
O pecado não tem desejo sobre o homem - ele é penas um atrativo.
O homem tem desejos diversos e tem controle sobre aquilo que o atrai. E tem livre escolha...
Se eu amo e pratico aquilo que Deus odeia; como é possível Deus separar o pecado de mim para odiá-lo e me amar separadamente do pecado se o pecado só se expressa através de mim?
Deus então me odeia porque eu escolhi amar e praticar o que ele odeia!
Ao escolher o pecado eu rejeitei Deus e dei expressão ao diabo. 
Se um homem livremente pratica e ama aquilo que Deus odeia, quando ele morrer, a natureza de Deus o obriga (força de expressão) a condena-lo.
Quando Jesus morreu, Deus condenou na carne de Jesus o pecado, ou seja, se o pecado só se expressa quando um homem o pratica, então o mesmo pecado só pode ser “destruído” onde ele se manifesta. E nesse caso, o corpo (a casa do pecado) não suporta o golpe de Deus, e morre.
Jesus não conheceu o pecado, mas Deus o fez pecado por nós.
Deus desferiu o golpe contra o pecado; Atingiu com a flecha o pecado... 
Onde ele golpeou o pecado?  Onde o pecado foi atuante! No homem “que lhe deu vida”! E isso aconteceu com Jesus – (embora nunca tivesse pecado, Deus desferiu nele o golpe) – Deus o fez pecado e executou juízo nele!
Pense:                

Uma cidade está empesteada de ratos, moscas e baratas, os ratos são grandes pesando mais de um quilo cada um. As baratas são da espécie que se encontram nos cemitérios, nos túmulos. As moscas são da espécie que põem ovos que se tornam em grandes larvas. Eles se multiplicam como o mato, ninguém consegue detê-los. É um desafio para essa cidade. Todas as noites eles se reúnem num só lugar, uma área equivalente a quatro estádios de futebol. O lugar é imundo e malcheiroso; é repulsivo. Ali, á noite os pares se acasalam; numa só noite, nascem e morrem milhares de novos, e eclodem milhões dos ovos das baratas e outras milhões de novas larvas das moscas rastejam pelo local. Há uma mistura de criaturas recém-nascidas e outras que acabam de morrer; moscas e baratas devoram os cadáveres. Não dá pra descrever como o local é desprezível. Fracassaram todas as tentativas de detê-los! São milhões, portanto só há uma forma de destruí-los, e de uma vez por todas! Você vai ao local, logo que esses milhões de seres se reunirem e incendeia todo o local, deixando-o só nas cinzas. No dia seguinte só resta um pouco de fumaça – o fogo destruiu os animais, a vegetação, os entulhos e o ainda desidratou o solo.    
Isto é chocante!
Deus condena o pecado no corpo do pecador – o local imaginário acima foi uma alegoria do pecado e da carne de um homem sem Cristo indo a julgamento.



Deus não age contra sua natureza; ele não pode fazer de conta que não viu e ele não tratou Jesus como única exceção quando nossos pecados foram colocados sobre ele.


Vamos tentar detalhar:

A lei terrena se satisfaz somente com a cabeça do transgressor (em algum caso aceita fiança em favor do transgressor).
A lei divina rejeita um pecador como oferta e se satisfaz somente com o sacrifício de um justo. 
E a fiança? É um preço impagável ao pecador, portanto:

Jesus assumiu sobre si os nossos pecados... Ele nunca pecou, mas Ele se fez de pecador em nosso lugar... “Aquele que não conheceu pecado, Ele (Deus) o fez pecado por nós”
Como assim?
Por um momento Deus executou juízo no próprio filho...  

Como assim?
Onde estava o pecado?  

No filho! 
E Deus odeia o pecado? 
Sim!
Portanto a ira de Deus recai sobre o filho!  

Como assim? 
Deus vira as costas para o filho e o abandona? 
Sim!
Não foi esse o clamor do filho na cruz: Elohim Elohim lema sabactani?

E digo mais
Deus não lhe respondeu porque o pecado estava em Jesus...
Ele morre.... Ele recebe o juízo...
Quando seu sangue se derrama na terra; aquele sangue é puro (satisfaz a exigência da lei divina) e destrói o poder da morte e do pecado - não é como o nosso sangue contaminado; então o pai se volta novamente para o filho e o ressuscita quebrando os grilhões da morte...
Deus condenou na carne o pecado !
Romanos 8:1-4
Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espirito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado. A fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espirito.

Se Deus não poupou o próprio filho, por que nos pouparia?
Deus nos vira as costas por causa do pecado (assim como fez com Cristo). 
Quando chegar o momento do meu sangue e do seu serem derramados; nosso sangue é impuro e ao cair na terra ele profana a terra - portanto o olhar de Deus não se volta para nós como fez com Jesus. E a condenação se consuma na morte.
Entenda agora o amor de Deus
Quanto mais um homem busca Deus; mais ele treme sentindo se indigno; impuro e (até) miserável pecador (como Paulo disse em Romanos 7:23-24: “...mas vejo nos meus membros outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! quem me livrará do corpo dessa morte?")

Se você busca Deus com sede e coloca toda sua disposição em conhece-lo, você se aproxima dele e Ele de você... Ai está a grande questão:
Quanto mais você se aproxima; mais você penetra nos atributos dele: Ele é santo; Ele é puro; Ele é amoroso; ele não pode ter comunhão com o mal.
Você sente o bom perfume (que é uma metáfora para todas as santas qualidades de Jesus) 2 Cor 2:14
Então você (num espelho se vê uma imagem inversa) percebe que você é justamente o contrário a tudo que ele é e sente que vai ser destruído instantaneamente; fulminado; porque Deus sendo tão santo e puro, não pode ter comunhão com você!
Você se sente impuro e pecador... A gloria dele é tanta que seus olhos não conseguem mira-lo
Manoá e sua esposa (pais de Sansão) tiveram essa experiência: Manoá, depois que o anjo subiu, exclamou: “Vamos morrer pois vimos o Senhor”. (Juízes 13) 
É isto que sente um homem (convertido) ao se aproximar de Deus.
A viúva que recebeu Elias em sua casa teve também esse sentimento quando seu filho morreu: Ela disse a Elias: Vieste trazer à memória a minha iniquidade? Ela reconhecia a presença de Deus que acompanhava Elias – quando Elias se aproximou, Deus veio junto, portanto os pecados dela ficaram expostos. (1 Reis 17:8-24)


Pedro sentiu isso ao dizer
Senhor, afaste-se de mim porque sou pecador!


Quanto menos buscamos a Deus; mais nos sentimos confortáveis ainda que afundados os pés em lama do pecado – Longe dele não vemos sua face, não sentimos seu perfume, não conhecemos sua gloria e santidade e por isso não podemos compará-lo a nós (crentes carnais tem suas convicções da salvação porque não tem parâmetros - não conhecem Deus - não imaginam que seja o oposto de tudo que Jesus ensinou).


Não deveria ser o contrário? Não!
Quanto mais longe; mais seguro me sinto (ilusão). 

Quanto mais perto; mais a glória de Deus me faz entender minha miserabilidade!
Estando perto dele, consigo me colocar em comparação com Ele.
Longe dele sinto-me seguro (ilusão do pecador) / perto dele sinto que serei fulminado.
Mas um homem não deve ter certeza da sua salvação? 
Se um homem cristão se sente miserável à medida que vai se aproximando de Jesus, ele não está negando a obra de salvação? 
Não! É justamente o contrário! Ele se sente miserável pelo fato de contemplar uma parte ínfima de Deus e isto é suficiente para sentir que Deus o destruirá!
Então: É justamente aqui que entende a graça e a misericórdia! Pelo fato de ele não te matar - É aqui que você entende que Deus é amor.
Aí sim!  Você pode dizer que Deus é amor! Ele não te destrói quando você se reconhece impuro em comparação a pureza e santidade dele.
Quando ele te diz: Minha graça te basta; em outras palavras Ele está dizendo:
Minha graça esta sobre você o suficiente para você viver e não morrer.
E quanto ao ímpio? Deus é amor para o tal? Não! Deus virá para os pecadores como um fogo consumidor!.
O amor de Deus para o ímpio é melhor explicado como paciência de Deus; sofrimento (como naquele trecho de Jesus:
(Mateus 17:17 e Lucas 9:41)
Jesus exclamou: Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei?...                                         



Deus ama o justo - o justo se sente indigno por causa da gloria de Deus.
Deus "sofre" pacientemente, suporta o pecador apesar desse considerar-se um filho Dele.

Nota: A palavra diz que o homem viverá 70 anos ou quando muito 80. Por todo esse tempo, Deus suporta, (sofre pelos) nossos pecados. Nesse tempo, um homem sem Deus está sujeito a todas as leis da terra – ele pode ser prospero ou miserável, pode ser bom ou mal, instruído ou ignorante – pelo fato de esse  ser um homem sem Deus, Deus não o priva de coisas boas disponíveis a ele na terra. Deus não o impede de ser rico nem lhe lança doenças – prevalece a lei da natureza. O homem está livre para praticar o que quiser – isso é liberdade – isso é livre arbítrio – é viver arbitrariamente – ou seja – de acordo com suas vontades, suas decisões (para seu bem ou para seu mal) – sem que Deus o impeça. Deus não o impede de desfrutar de grandezas, ter títulos, diplomas. Seu eventual mal sucesso não significa castigo de Deus; bem como seu sucesso não significa benção divina – é a lei da terra.
Não há uma regra divina que o ímpio deva ter morte trágica e o justo tenha morte sem dor – nem que o justo não possa morrer por um câncer – a morte física é para todos. A pobreza e a riqueza de um e de outro não estão necessariamente ligados à condição espiritual.
A palavra fala ainda que a paciência de Deus aguardava (sofria enquanto) Noé construir a arca – nesse tempo os homens estavam livres em seus comportamentos, para o mal ou para o bem (e viviam muito mais do que 80 anos).
Há coisas que acontecem ao justo e que entenderíamos que era para o ímpio.
Há coisas que acontecem ao ímpio e que entenderíamos que era para o justo!.
A bíblia fala ainda que (Deus suportou) os pecados de babilônia (até que) subiram até o céu. A grande dia do juízo está chegando – então cada uma dará conta de seus feitos.
Certa vez li num livro onde o autor relata uma experiência de ter sido levado ao céu e ter permanecido lá por alguns dias. Lá ele viu Jesus, Elias, o rio de Deus e arvore da vida... Em dado momento chega uma carruagem celestial trazendo uma senhora que fora salva! Essa mulher, ao contemplar a grandeza de tudo ao seu redor, começou a clamar: "Não dou digna, não sou digna". E então ela foi confortada acerca de sua fé na terra, que lhe garantiu a salvação.

E a bíblia é clara e direta quanto aos outros (pecadores por opção) que pensam que seus nomes estão escritos no livro da vida, que são filhos de Deus; que pensam: "Sou digno, sou digno", mas terão uma surpresa devastadora.

(*) WASHER, Paul. O evangelho de Deus & o evangelho do homem. Editora Hagnos, 2015, pag 71